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11.03.2019 - 17:12 Por Leon Lucius

RAINHA DO CONGO RECEBE MEDALHA TIRADENTES

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  • Por Rafael Wallace
    Deputados concedem Medalha Tiradentes para rainha do Congo, Diambi Kabatusulia
  • Por Rafael Wallace
    Medalha Tiradentes para rainha do Congo, Diambi Kabatusulia
  • Por Rafael Wallace
    Deputados concedem Medalha Tiradentes para rainha do Congo, Diambi Kabatusulia
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    Deputados concedem Medalha Tiradentes para rainha do Congo, Diambi Kabatusulia
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    Rainha de Ifé, na Nigéria, Naomi Ogunwusi, também esteve presente na homenagem.

Kabatusulia foi coroada rainha do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu, da República Democrática do Congo, em 2016

Estima-se que a etnia africana bantu foi uma das primeiras a chegar escravizada à terra que viria a se chamar Brasil. Desse povo, herdamos palavras, pratos culinários, ritmos musicais e elementos religiosos que ajudariam a moldar a nossa identidade nacional. Pela primeira vez desde a abolição da escravatura, uma soberana bantu, a Rainha do Congo, Diambi Kabatusulia, veio ao país para visitar seus descendentes e recebeu, nesta segunda-feira (11/03), a Medalha Tiradentes, a maior honraria entregue pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

“É uma honra ter o reconhecimento desta Casa, que representa o povo. A troca de informações entre os nosso países é muito importante, porque muitos dos negros da diáspora não sabem de onde vieram e quem realmente são. Quanto mais souberem de sua origem, mais fortes serão. E nós, que estamos na África, também precisamos conhecer a história deste lugar, porque ficamos com um trauma quando nossos ancestrais foram capturados”, disse a rainha após receber a medalha, uma iniciativa das deputadas Dani Monteiro e Mônica Francisco, ambas do PSol, e do deputado Max Lemos (PMDB).

Kabatusuila foi coroada, em 2016, rainha do povo Bena Tshiyamba de Bakwa Indu, da região central de Kasaï, parte do antigo Império Luba, na República Democrática do Congo. No Brasil desde o final de fevereiro, Diambi também passou por Salvador e Belo Horizonte, conhecendo lideranças regionais e espirituais e participando das comemorações de Carnaval. “Encontrei a cultura africana por todo o Brasil. Mas estaria mentindo se não dissesse que houve lágrimas e reclamações, que não vi a luta do povo negro para manter viva essa cultura e até para ter acesso às instituições deste país que ajudamos a constituir”, criticou a rainha. Passando ainda por São Paulo, o objetivo da visita ao país é fortalecer os laços com a República do Congo, selando uma parceria que resgate e preserve a memória da luta dos ancestrais africanos.

Momento simbólico e pedagógico

A deputada Mônica Francisco (PSol) destacou que a entrega da medalha acontece na semana em que se completa um ano da execução da vereadora Marielle Franco, defensora dos direitos da população negra, periférica e feminina. “Ocupar essa Casa, predominantemente masculina e branca, com o povo da diáspora africana é simbólico e pedagógico. O Brasil foi construído por mãos negras sequestradas e mãos indígenas dizimadas”, declarou.

Francisco também lembrou que, na semana passada, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira foi coroada campeã do Carnaval do Rio com o enredo “História para ninar gente grande”, que contesta a versão “oficial” da história do país e enaltece personagens inviabilizados dessa trajetória, como o guerreiro indígena Sepé Tiaraju e a escritora Carolina de Jesus. “Durante a nossa formação, eles não contaram a história do meu povo. Não me disseram que não sou descendentes de escravos, mas de reis, rainhas, príncipes e princesas que foram escravizados”, reforçou a deputada Dani Monteiro.

O deputado Max Lemos (MDB) destacou a participação de lideranças indígenas no evento, que também tem uma história de perseguição no Brasil. “Houve diversos encontros com essas lideranças, além de casas de matriz africana do estado. Fiquei muito feliz em participar dessa iniciativa e em saudar todos aqueles que lutam pela igualdade no nosso país”, disse. Ainda estiveram presentes as deputadas Enfermeira Rejane (PCdoB), Marina Rocha (PMB) e Renata Souza (PSol).

União de rainhas e povos

Também participou da entrega da medalha a rainha de Ifé, na Nigéria, Naomi Ogunwusi. Ela destacou a necessidade da união dos povos negros para a preservação cultural e a importância de ter “mulheres maravilhosas” ocupando os espaços de poder. “Isso é incrível porque significa que a mudança já está acontecendo! Todos os negros, que estão na África ou em diáspora, temos que andar juntos com um só objetivo. A nossa herança será mantida se concordarmos que somos um. Seguindo assim, com paz no coração, seremos capazes de defender a nossa honra”, disse.

Durante a semana passada, Ogunwusi participou de encontros com as deputadas Monica Francisco (PSol) e Tia Ju (PRB), em que discutiram estratégias de combate à discriminação e o estreitamento das relações comerciais e agrícolas entre o país africano e o Estado do Rio. “Nosso povo é muito voltado para o cultivo da terra. Quanto mais acesso às técnicas nós tivermos, vamos melhorar ainda mais o que nossos ancestrais já realizavam tradicionalmente”, disse a Rainha Naomi na ocasião.

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