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11.03.2019 - 20:28 Por Isabela Cabral e Buanna Rosa

DIA INTERNACIONAL DA MULHER É CELEBRADO NA ALERJ COM AÇÃO NA PRAÇA XV E HOMENAGEM A 14 MULHERES

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  • Por Octacílio Barbosa
    DIPLOMA MULHER CIDADÃ
  • Por Thiago Lontra
    Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher
  • Por Thiago Lontra
    Enfermeira Rejane (PCdoB)
  • Por Thiago Lontra
    Eliete Gonzaga
  • Por Thiago Lontra
    Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher

Homenagens a mulheres de destaque e atendimento médico, jurídico e psicológico marcaram o evento promovido pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta segunda-feira (11/03), em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Os atendimentos foram realizados na Praça XV de Novembro, no Centro do Rio, na parte da manhã. À tarde, na 16º edição do Diploma Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro, foram homenageadas 14 mulheres que, de alguma forma, contribuíram com a luta pelos direitos femininos.

“Muito além da celebração, a ideia desse dia era destacar as conquistas femininas e lembrar a importância de políticas públicas que possam garantir a segurança e o bem-estar das mulheres. E também marcar a luta das mulheres contra o preconceito e o feminicídio, que vem crescendo assustadoramente em nosso país”, afirmou a presidente da comissão, deputada Enfermeira Rejane (PCdoB).


Atividades na Praça XV

Quem passou pelo Praça XV pôde receber orientações e atendimentos de saúde, como a cozinheira Eliete Gonzaga, de 51 anos, que ao ver a movimentação resolveu parar e aferir a pressão. “É muito importante a mulher parar um pouco do seu dia para se cuidar. Muitas vezes corremos e esquecemos de nós mesmas. A saúde é uma só e temos que nos cuidar. Acabei de saber que estou com a pressão um pouco alta e terei que ficar mais atenta a isso”, contou.

Também presentes no evento, a Defensoria Pública e a Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica (ABMCJ-RJ) distribuíram folhetos com orientações e recomendações em casos de violência contra a mulher. A defensora titular do Núcleo Especial de Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), Márcia Fernandes, explicou que, além de orientar, a equipe do Núcleo estava preparada para encaminhar mulheres dali mesmo para a sede do Nudem na Rua Uruguaiana, caso precisassem de uma ação de urgência .“É muito importante a mulher ter conhecimento das possibilidades que ela tem, mesmo que ela não esteja pronta necessariamente, para fazer alguma ação proativa naquele momento”, relatou.

Além de contar com atendimentos gratuitos nas áreas de saúde e jurídica, o público também pôde conferir a uma exposição de artesanatos e também a uma apresentação de dança do grupo Corpo e Movimento da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef). Já representantes da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) estiveram no evento e serviram água para o público que passava no local.


Homenagens na Alerj

Durante a cerimônia do Diploma Mulher Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro, em que o plenário ficou lotado majoritariamente pelo público feminino, integrantes da mesa e homenageadas levantaram várias discussões acerca da luta pelos direitos das mulheres. Violência contra a mulher, saúde feminina, racismo, direitos trabalhistas e militância foram alguns dos temas citados. A vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, também foi lembrada diversas vezes. As participantes lamentaram a falta de esclarecimentos sobre o caso e destacaram sua importância na defesa das mulheres e de outros grupos vulneráveis.

Entre as homenageadas, está Maria Prestes, ativista que foi presa e torturada por sua atuação política. Ela viveu por muitos anos na clandestinidade ao lado do líder comunista Luiz Carlos Prestes, com quem foi casada, e foi exilada na União Soviética durante a ditadura militar. “A história oficial do Brasil valoriza demais príncipes e princesas, enquanto deixa no esquecimento mulheres que deram a vida pela liberdade, como Dandara, Luísa Mahin, Olga Benário e Marielle. Vem de longe a luta da mulher brasileira”, ressaltou. “Devemos nos inspirar em figuras como essas para lutar hoje pela democracia brasileira e impedir o avanço do obscurantismo, do retrocesso político e ideológico”, disse. “Eu dediquei minha vida à luta pela igualdade social no país”, afirmou Maria, que aos 88 anos continua sua militância.

Outra agraciada com o diploma foi Nair Jade, 87 anos, que atua desde a década de 1950 pelos direitos das trabalhadoras domésticas, das mulheres e dos negros. Ela foi presidente da Associação Profissional das Empregadas Domésticas de 1973 a 1982. “Foi uma luta muito ferrenha, mas vemos hoje os frutos do nosso trabalho, que hoje estão ameaçados. As domésticas precisam estar mais unidas do que nunca”, alertou. “Ainda hoje, continuo trabalhando. Faço atendimentos em Duque de Caxias para orientar essas profissionais sobre seus direitos”, contou.

O evento também contou com apresentações artísticas. O coral Vocalizarte, composto só por mulheres, cantou as músicas “Marina”, de Dorival Caymmi, “Maria Maria”, de Milton Nascimento, e “Quando te vi”, de Beto Guedes. Já as meninas do Projeto Luar de Dança fizeram uma performance no encerramento.


Confira a lista com todas as homenageadas e suas respectivas áreas de atuação:

Ana Lúcia Telles Fonseca: presidente do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro, é enfermeira formada pela Escola de Enfermagem Ana Neri da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde militou nos movimentos estudantis, com foco na defesa das mulheres trabalhadoras da saúde. Trabalhou durante 37 anos diretamente na assistência aos pacientes no Hospital Central do Exército (HCE) e na Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Sempre esteve engajada nas lutas da categoria e na defesa do SUS;

Edna Calheiros: presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras Acontecendo em Saquarema (AMEAS) e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM);

Elaine Mendes: integrante do Projeto Zezé, organização que conta com voluntários e doações para cuidar de animais;

Érica Nascimento: Conselheira Tutelar, desenvolve trabalhos sociais voltados para mulheres através da ONG Reobote Nascimento;

Leny Claudino: técnica de Enfermagem, integra o Movimento Negro Unificado e atualmente preside o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher em Duque de Caxias;

Maria Prestes: Militante da Juventude Comunista, foi presa e torturada na década de 1950. Hoje, com seus 88 anos, continua participando ativamente dos Movimentos Feministas e de Mulheres e apoiando entidades engajadas nessa luta, inclusive a Federação de Mulheres Fluminenses;

Marilza Barbosa: ativista pelos Direitos Humanos na Baixada Fluminense, com objetivo de acolher, empoderar e encaminhar mulheres vítimas não só da violência doméstica, mas da violência que atinge os direitos, a honra e a liberdade das mulheres;

Nair Jane: fundadora do Sindicato das Empregadas Domésticas do Município do Rio, da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, da Confederação Latino Americana, do Caribe de São Jose da Costa Rica e do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (CEDIM) em 1977. Lutou pelos os direitos das mulheres na constituinte de 1988, participou em vários movimentos das mulheres negras e feministas a nível municipal, estadual e nacional. Atualmente é vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Nova Iguaçu;

Odisséia Carvalho: ocupou o cargo de Assessora Especial na Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, onde pôde desenvolver políticas públicas voltadas para qualificação, empoderamento das mulheres brasileiras e combate à violência doméstica, através da implantação da Lei Maria da Penha;

Regina Mota: jornalista há 36 anos, realiza atividades culturais através do Jornal Poiésis, o qual dirige há 25 anos, na Região dos Lagos. O Festival da Mulher, idealizado e realizado por ela em Saquarema, já envolveu centenas de participantes em artes plásticas, danças, música e palestras orientadoras sobre a Lei Maria da Penha e outros assuntos voltados à mulher;

Rosângela Silva: Diretora Executiva e de Políticas Sócias do Sindicato dos Comerciários e coordenadora do Coletivo Margaridas, formado por 10 diretoras do Sindicato dos Comerciários do Rio, onde promove os direitos e a igualdade no trabalho e combate todo tipo de discriminação às mulheres;

Rosilene Rodrigues: presidente do Movimento Amigos do Bairro, que transversa todo o movimento social, promovendo ações e organizando as mulheres na luta pela moradia, pelo bairro e melhores condições de vida. Integra a União Brasileira de Mulheres, estando na direção da entidade há mais de 8 anos, dando destaque a luta das mulheres na cidade com a participação da entidade nos Conselhos de Saúde, Políticas Urbanas e Mulher;

Selma Chagas: professora de História, Selma organizou através do trabalho diversos seminários de promoção às políticas públicas, saúde e assistência social e enfrentamento à violência contra a mulher. É Conselheira dos Direitos da Mulher de Duque de Caxias e é Diretora no Departamento da Mulher;

Sônia Klausing: advogada, fundadora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Mulher de Duque de Caxias, primeira secretária executiva dessa instituição. Em 1992 iniciou trabalho voluntário em uma ONG de Direitos Humanos. Passou a trabalhar com mulheres empreendedoras na Associação de Moda do Grande Rio e Associação das Mulheres que Fazem a Diferença. Nessa caminhada, também passou a fazer consultorias e serviços jurídicos para ambas. Em 2014 iniciou um trabalho na Subsecretaria de Políticas para Mulheres do Estado do Rio de Janeiro, onde se envolveu ainda mais profundamente com a questão da mulher, principalmente com a questão de gênero.

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