MEDALHA TIRADENTES PREMIA TALENTO, GARRA,INICIATIVA E DEDICAÇÃO AO RIO


Após o discurso de agradecimento, o homenageado recebe a medalha, que é colocada em seu peito. Os caminhos que levaram ao reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo agraciado são diferentes. Mas, existe um ponto em comum entre as 5.183 pessoas, civis e militares, representantes de grupos e instituições, que receberam a Medalha Tiradentes: segundo os parlamentares que as escolheram, todas prestaram relevantes serviços à causa pública. Desenhada às pressas para a comemoração do bicentenário da morte de Tiradentes, em 1992, a medalha que leva o nome do Alferes é a mais importante comenda do Estado do Rio de Janeiro. Criada por meio da Resolução 359, de 1989, a medalha possui o mesmo nome do prédio que abriga o parlamento fluminense e que foi construído no local da antiga Cadeia Velha, onde Tiradentes aguar-dou a leitura de sua sentença. Segundo o Regimento Interno, cada um dos 70 deputados tem o direito de conceder duas medalhas por ano. Apesar de a escolha do homenageado ser subjetiva, há uma regra bastante rígida entre os deputados. "Cada um é responsável pela personalidade que vai homenagear, por isso é preciso ter bastante critério na hora da escolha", acredita o deputado Luiz Paulo (PSDB). A deputada Cidinha Campos (PDT) só faz homenagens post mortem. "Só homenageio os mortos, porque eles jamais irão praticar, em sua trajetória, atos condenáveis", justifica. O bom senso é o critério mais citado pelos parlamentares. Para o deputado Carlos Minc (PT), que tem o costume de conceder poucas medalhas, a homenagem não deve ser apenas a uma pessoa, mas à sua trajetória, ou a um exemplo que ela tenha dado à sociedade. "Nos meus primeiros dois anos de mandato, em 1987, concedi duas medalhas. Uma para o Betinho e outra para o Chico Mendes. A homenagem ao Chico Mendes foi importante, porque ele tinha sido ameaçado de morte e recebeu a medalha dois meses antes de morrer. Quando o Betinho esteve aqui, ele já estava muito debilitado, mas possuía a estatura moral de um verdadeiro gigante", lembra Minc. Mas não são apenas brasileiros que recebem a medalha. Personalidades importantes na história mundial também foram condecoradas. O papa João Paulo II recebeu a comenda em 1997, em uma sessão realizada no Vaticano. "O Papa estava com uma visita marcada ao Rio de Janeiro. Sugerimos então que ele recebesse o título antes de chegar ao estado, e conseguimos aprovar o projeto em plenário", conta a deputada Aparecida Gama (PMDB), autora da iniciativa. O local em que a Medalha Tiradentes será entregue é escolhido pelo parlamentar. Na maior parte das vezes ela é feita no plenário da Alerj. Mas, em determinadas ocasiões, o deputado vai até o homenageado. Em 2003, a deputada Heloneida Studart (PT) concedeu uma medalha a Marilia Trindade Barboza, biógrafa de Cartola, Carlos Cachaça e Pixinguinha, na Estação Primeira da Mangueira. "Dou o maior valor à medalha, que tem o nome do maior herói bra-sileiro", diz a deputada, que também recebeu uma medalha por sua trajetória política. Reconhecimento dos gestos, atitudes e da história. Para alguns homenageados, a Medalha Tiradentes representa a oportunidade de corrigir fatos históricos. Em 2001, o deputado Noel de Carvalho (PMDB), homenageou o Bangu Atlético Clube por ser o primeiro clube a admitir jogadores negros, em 1906. "Quando concedi a medalha ao clube, me apoiei no fato de o Bangu ser o primeiro clube a se contrapor ao preconceito racial", conta o parlamentar, que adota, como critério simbólico, a emoção. "Só concedo medalha a alguém que chore ao recebê-la", revela. Outros parlamentares buscam no anonimato grandes heróis que tenham contribuído para a construção da sociedade. "Existem personalidades que trabalham sigilosamente pela população. Procuro sempre escolher lideranças que estão à margem, atuando para melhorar a vida dos cidadãos do nosso estado", explica. Das mais de cinco mil medalhas entregues, nenhuma foi devolvida. Os homenageados ficam orgulhosos. A escritora Ana Maria Machado, que recebeu a medalha em 2001, fala em seu site da emoção de recebê-la: "No mesmo ano recebi a Medalha Tiradentes, da Alerj, e a Ordem do Mérito Cultural, da Presidência da República. Uma verdadeira consagração. Nem com uma varinha mágica uma fada-madrinha podia me dar isso", revela a escritora. Herói da Inconfidência Mineira inspira outras instituições O espírito de Tiradentes e de seu lema, resumido como "Liberdade ainda que tardia", inspirou outras instituições do País a conceder a medalha com o seu nome. O patrono das polícias Militar e Civil, que recebe homenagens todo dia 21 de abril, também dá nome à medalha que reconhece os relevantes serviços prestados por personalidades à sociedade em âmbito nacional ou estadual. Policiais Militares do Mato Grosso do Sul, Goiás, Sergipe, Amazonas e Pará entregam a Medalha com o nome de seu patrono, que integrou o Regimento dos Dragões de Minas Gerais. Com diferentes formatos e um significado semelhante, a honraria é concedida ou às vésperas do dia 21 de abril ou ao longo do ano. Confira outras instituições que concedem a medalha: Medalha Tiradentes da União dos Escoteiros do Brasil - instituída em homenagem ao Mártir da Independência, é concedida a sócios do Movimento Escoteiro, Regiões Escoteiras ou Unidades Locais, por atos que demonstrem ações de caráter excepcional e devotamento ao dever, nobreza de caráter e de sentimentos, elevado espírito escoteiro e relevantes serviços à causa escoteira. Medalha Tiradentes da Câmara Municipal de São Paulo - criada em dezembro de 2001, a medalha é entregue no último dia útil imediatamente anterior a 21 de abril aos policiais civis e militares e guardas municipais que mais se destacam em ações benéficas à população paulistana. Cada corporação tem direito a uma indicação. Medalha Tiradentes do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo - é a maior comenda entregue pela entidade e destina-se a personalidades que tenham prestado relevantes serviços à sociedade e à classe odontológica. * A PM do Distrito Federal entrega a Medalha Joaquim José da Silva Xavier e a PM de Minas Gerais concede a Medalha Alferes Tiradentes. Outros homenageados *Carlinhos de Jesus, dançarino, em 1992 *Roberto Marinho, jornalista, em 1992 *Jô Soares, apresentador, em 1993 *Nise da Silveira, psiquiatra, em 1996 *Rose Marie Muraro, escritora, em 1996 *Zuenir Ventura, jornalista, em 1998 *Sílvio Santos, apresentador, em 1999 *Fidel Castro, presidente de Cuba, durante as comemorações dos 40 anos da Revolução Cubana, realizadas na Uerj, em 1999 *Guga, tenista, 1999 *Maria Clara Machado, escritora, em 2001 *Daniele Hypólito, ginasta, em 2003 *Zezé Motta, atriz, em 2003 *Oscar Schmidt, jogador de basquete, em 2003 *Humberto Costa, ministro da Saúde, em 2003












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