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CONTA NA SUÍÇA PODE SER ABERTA NO BRASIL

Banco onde fiscais teriam depositado US$ 33,4 milhões é especializado em gerir fortunas Deborah Berlinck Genebra. Rodrigo Silveirinha Corrêa não precisaria ter vindo à Suíça para abrir uma conta no Discount Bank and Trust Company, o banco onde ele e sete outros fiscais teriam depositado ilegalmente US$ 33,4 milhões. Silveirinha alega que nunca veio à Suíça, mas banqueiros consultados pelo Globo explicaram que os fiscais brasileiros podem ter aberto as contas no próprio Brasil ou em qualquer outro país onde o banco tenha filial ou representante, seja na França ou no paraliso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Um dos que deram a explicação foi Michael Wyler, membro da direção executiva do Union Bancaire Privée (UBP), banco que comprou o Discount Bank em junho passado e levantou as primeiras suspeitas sobre as contas. - Não é preciso vir à Suíça. É claro que você não vai pedir a cada cliente que venha à Suíça para abrir uma conta - disse ele. Uma fonte de outro grande banco suíço, que gere fortunas de brasileiras, diz que administradores de contas grandes viajam regularmente ao Brasil para visitar seus clientes e discutir o investimento. Todos os grandes bancos suíços têm pelo menos um representante no Brasil e é por ele que às vezes é feito o primeiro contato. Quando se trata de abertura de conta, o banco envia alguém ao Brasil para fazer perguntas sobre a origem do dinheiro. - Se o cliente diz que tem uma fábrica de sapatos que exporta para a América Latina, nós vamos até a fábrica - disse a fonte. Empresas podem estar por trás de fiscais acusados As contas que seriam dos fiscais brasileiros foram abertas num tipo de banco em que a Suíça se destaca: especializado em administrar fortunas. O UBP opera na mesma área. Na época em que foi comprado, o Discount administrava um total de US$ 20 bilhões em fortunas e tinha 450 funcionários. Segundo uma fonte, como o banco se especializou nesse tipo de serviço - e não opera, por exemplo, como o Bradesco - os oito acusados já tinham uma soma considerável para ser aceitos, há três anos, co-mo clientes. No UBP, por exemplo, uma conta só é aberta com no mínimo meio milhão de francos suíços (cerca de US$ 350 mil) ou quando o cliente tem "grande potencial". Cada banco tem seu valor mínimo. Isso levanta algumas questões na investigação suíça sobre o caso. Funcionário de banco suíço é minimamente informado para saber que um fiscal do Rio não fica milionário com trabalho honesto. Se os fiscais não têm fortuna de família, como então passaram pela malha fina da Lei de Lavagem de Dinheiro da Suíça, que deveria ter feito o Discount Bank a verificar a origem do dinheiro? De acordo com uma fonte do setor, além de negligência do banco, uma possibilidade é que houvesse empresas por trás dos acusados ou outras pessoas que pudessem justificar o dinheiro. O UBP diz que não sabe nada sobre o andamento da investigação e que não é responsável pelo caso, pois só comprou o Discount no ano passado. Pela Lei de Lavagem de Dinheiro da Suíça, em vigor desde 1998, todas as instituições financeiras do país são obrigadas a denunciar contas suspeitas de pertencerem ao crime organizado ou de estarem sendo usadas para lavar dinheiro ou guardar recursos obtidos com corrupção. A conivência do banqueiro pode levá-lo para a prisão. Enquanto na Áustria ainda é possível abrir uma conta por meio de um advogado, no anonimato, na Suíça isso acabou. Banqueiros são obrigados a levantar informações de clientes Os banque

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