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POLÍCIA CONTRADIZ VERSÃO DO EXÉRCITO

PMs negam professor tenha furado bloqueio montado por eles PMs que participavam de uma blitz na Avenida Martin Luther King, em Tomás Coelho, na madrugada de anteontem, apresentaram na 44ª DP (Inhaúma) uma versão diferente da divulgada pelo Comando Militar do Leste (CML) para o caso do professor de inglês Frederico Branco de Faria, de 51 anos, morto a tiros por militares do Exército. Os policiais disseram que, ao contrário do informado pelo CML, a vítima não furou a barreira montada por eles antes de atravessar a blitz que o Exército fazia em seguida. Segundo o soldado André Luiz Ventura, do 3º BPM (Méier), PMs montaram sua barreira depois de serem atacados por traficantes do Morro do Juramento. Além de fazer disparos contra os policiais, os bandidos passaram num Corsa preto e atiraram uma bomba do tipo malvina (feita com cabeça-de-negro). Na versão de Ventura, pouco mais de uma hora depois o professor apareceu dirigindo seu Corsa verde, acompanhado da namorada, e não passou pela blitz da PM, e sim por uma rua paralela, em alta velocidade. O soldado contou que, em seguida, ouviu o barulho dos tiros. Os militares do Exército que faziam operação na avenida alegaram que Frederico não obedeceu à ordem de parar. Alegaram ainda que chegaram a atirar para o alto, antes de fazer disparos contra o carro. Namorada da vítima será chamada para depor Os militares que faziam a blitz são do 26º Batalhão de Infantaria Pára-quedista. Eles não prestaram depoimento na delegacia. Segundo o delegado Rômulo Prado, o próximo passo da investigação será chamar a namorada do professor, Rosângela da Silva, para depor. O caso está sendo investigado também num inquérito policial-militar (IPM). Ontem à tarde, o coronel Ivan Cosme de Oliveira Pinheiro, oficial de Comunicação Social do CML, disse que o Exército lamentava a morte do professor. Ele lembrou que o prazo para o IPM ser concluído é de 40 dias, podendo ser prorrogado por mais 20, mas que a ordem do CML é concluir rapidamente a apuração: - Não temos interesse em ocultar nada. O professor foi enterrado ontem no Cemitério de Irajá. Durante o velório, Rosângela, muito abalada, ficou o tempo todo na capela e, a pedido da família, não falou com a imprensa. Parentes e amigos de Frederico se mostraram revoltados, mas preferiram não fazer acusações ao Exército. Mais tranqüilo, Tiago Branco de Faria, 54 anos, advogado e irmão da vítima, pediu justiça: - Se eles tentaram parar o carro do meu irmão e ele acelerou, que atirassem nos pneus ou então fossem atrás do carro dele. Se os militares atiraram para o alto para tentar assustá-lo, para mim já fica caracterizada tentativa de homicídio. Tiago disse acreditar que o irmão tenha passado em alta velocidade pela blitz do Exército porque imaginou que se tratasse de uma ação de bandidos: - Hoje em dia a gente passa pela Linha Vermelha, por exemplo, e, quando se depara com uma blitz, não sabe se é de marginal ou da polícia. Helena Santos de Faria, sobrinha de Frederico, disse que a presença do Exército nas ruas pode ser uma faca de dois gumes. Ela acrescentou que é a favor do patrulhamento, mas com pessoas qualificadas. Ontem, na Avenida Martin Luther King, uma equipe do Exército ainda fazia o patrulhamento. O funcionário de um posto de gasolina viu quando bandidos jogaram uma bomba perto dos soldados. Para o secretário de Segurança, Josias Quintal, a morte de Frederico foi um fato isolado e os militares têm treinamento para lidar com a popula

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