INSPETOR-GERAL DA PM NEGA TER PRETENSÕES POLÍTICAS

INSPETOR-GERAL DA PM NEGA TER PRETENSÕES POLÍTICAS

O inspetor-geral da Polícia Militar, coronel João Carlos Ferreira, disse nesta quinta-feira (19/05), em audiência pública realizada pela Comissão de Direitos Humanos, que não tem qualquer pretensão política. "Achei que me conhecessem o suficiente para saber que isso não faz o menor sentido", afirmou. O coronel, que é ex-corregedor-geral da Polícia Militar, rebateu às suspeitas levantadas pelo deputado Paulo Ramos (PDT) durante reunião da comissão que ouviu o secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba. Na ocasião, o deputado disse que a chacina que vitimou 29 pessoas na Baixada Fluminense teria sido motivada por uma disputa entre o inspetor-geral e o coronel D'Ambrósio Francisco, ex-comandante do policiamento da Baixada Fluminense. Segundo Ramos, os dois coronéis teriam pretensões de concorrer nas eleições do ano que vem.
Presidente da comissão, o deputado Geraldo Moreira (PSB) disse que só depois de ouvir o coronel D'Ambrósio poderá tirar conclusões acerca das hipóteses levantadas por Paulo Ramos. D'Ambrósio foi convidado pela comissão a comparecer nesta quinta-feira pela manhã, mas avisou na véspera que não poderia cumprir o compromisso, e que enviaria a justificativa nesta sexta-feira (20/05). "Precisamos ouvir o D'Ambrósio, assim como o presidente do inquérito, o delegado Rômulo Vieira, que é da Delegacia de Homicídios da Baixada, e o coronel Paulo César Lopes, comandante do 15º Batalhão. O coronel João Carlos não disse nada além do que achei que ele diria", disse Moreira, acrescentando que se as investigações não chegarem ao que ele classificou como "os mandantes do crime", a comissão pedirá a abertura de uma CPI para investigar o caso. "É preciso chegar ao esclarecimento total deste caso. É preciso apontar os autores intelectuais do crime, quem se beneficiou com as mortes destas pessoas", afirmou. Moreira também
Para Paulo Ramos, o coronel João Carlos não foi convincente. "Concluo que ele é um desinformado, não sabe se o D'Ambrósio é candidato, não sabe se o Marcelo Itagiba é candidato nem sabe se é candidato, quando todo mundo sabe disso tudo. Parece até que ele trabalha em outro lugar", ironizou. O pedetista disse ainda que acreditava que o coronel era uma pessoa "bem informada", e voltou a dizer que as nomeações de comandantes de batalhões seguem padrões políticos. "Todos sabem disso, alguns comandantes chegam até a fazer referências sobre seus patronos. Posso afirmar, hoje, que não é o coronel Hudson (coronel Hudson Aguiar, comandante-geral da Polícia Militar) quem indica os comandantes dos batalhões, assim como não é o Álvaro Lins (chefe da Polícia Civil) quem indica os titulares das Delegacias Especiais. O coronel Hudson não tem exclusividade, ele pratica atos de ofício até porque não tem alternativa", acrescentou o parlamentar.
De acordo com o coronel João Carlos, porém, a nomeação dos comandantes dos batalhões é de responsabilidade do comandante-geral da PM, sob a autoridade do secretário de Segurança Pública. "Imagine se o secretário Itagiba e o coronel Hudson iam me dar esta intimidade, de me imiscuir nas suas responsabilidades?", questionou. Segundo ele, o coronel D'Ambrósio é seu amigo particular, e não há qualquer disputa entre os dois. "Estas acusações estão servindo ao interesse de alguém, que está tentando não só jogar o deputado contra mim, como também o D'Ambrósio. Alguém lucra com isso", ponderou.
Membro da comissão, o deputado Alessandro Molon (PT) perguntou quais as ações tomadas pela secretaria de Segurança Pública para evitar que casos como o da chacina se repetissem. Molon pediu ainda apoio ao coronel João Carlos para que um projeto de lei, de sua autoria, seja analisado pelo Governo. A proposta prevê que policiais que estejam sendo investigados por má conduta sejam afastados das funções, sem distintivo, arma ou farda, durante a investigação. De acordo com o projeto, o afastamento seria feito sem prejuízo dos vencimentos ou registros no histórico de condutas. "Isto é importante para que os policiais não possam usar suas prerrogativas para constranger as testemunhas", disse Molon. O coronel disse que a Polícia Militar conta com um serviço de apoio psicológico nas unidades mais sujeitas a confrontos e que o policial que passa por investigações é colocado em funções burocráticas.


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