USUÁRIAS DO METRÔ ELOGIAM ESQUETES SOBRE VAGÕES FEMININOS

USUÁRIAS DO METRÔ ELOGIAM ESQUETES SOBRE VAGÕES FEMININOS

Revoltadas com os homens que insistem em viajar nos vagões exclusivos para mulheres, as usuárias do metrô aprovaram a nova iniciativa da concessionária, para esclarecer a população sobre a Lei estadual 4733/06, de autoria do presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), que destina vagões exclusivos para mulheres nos trens e metrôs do Rio de Janeiro durante os horários de maior movimento. A partir desta segunda-feira (28/08), dois casais de atores circularão pelas plataformas e vagões das linhas um e dois do metrô, encenando um diálogo entre um homem distraído que entra no vagão feminino e uma mulher que chama a sua atenção. Para o diretor de relações institucionais do Metrô Rio, Joubert Flores, o cumprimento da lei é uma questão de tempo. "É preciso educar a população, como ela foi educada sobre a proibição do cigarro. Os esquetes representam uma forma amistosa de alertar os homens desavisados sobre a exclusividade dos vagões", acredita.
A secretária Tainá Meireles, de 22 anos, comemora o direito de escolher o vagão exclusivo, e destaca que é preciso maior respeito à lei. "Quando eu tinha 19 anos fui abusada na linha dois. Há um ano, aconteceu mais uma vez. Quando o vagão enche, os homens ficam se encostando nas mulheres", conta Tainá, que mora em Vicente de Carvalho, na Zona Norte, e usa o metrô todos os dias para chegar ao trabalho, na Cinelândia, Centro do Rio. Os homens não negam. "O abuso é comum nos trens e no metrô. Acho a lei importante e respeito, porque alguns acabam se aproveitando", disse o usuário Raimundo Júnior. Questionado sobre o motivo de estar viajando no vagão exclusivo no horário restrito às mulheres, Raimundo desculpou-se. "Entrei com pressa e não quis perder o trem", disse.
O aposentado José Pires, de 73 anos, que por engano esperava pelo trem próximo à área de embarque das mulheres, superou as dificuldades de locomoção e andou até o vagão seguinte. "Acho a lei justa porque já presenciei muitos abusos. É hora de os jovens aprenderem a respeitar as mulheres", defende. Dona de uma banca de jornal em Copacabana, Luciene Mendonça, de 47 anos, diz que ouve muitas reclamações. "Como a banca fica perto do metrô, muitas clientes chegam zangadas, contando dos abusos terríveis que sofreram. A lei foi uma vitória para essas mulheres", acredita. Preocupada com as filhas, de 22 e 23 anos, Luciene comprou um carro para que elas fizessem o trajeto da Zona Norte, onde moram, à Zona Sul. "Ter filha bonita é difícil, e eu não quero que elas passem por isso. Eu ficaria muito mais tranqüila se a lei fosse respeitada, e ainda economizaria gasolina", brinca Luciene, que elogiou a forma encontrada pelo Metrô Rio para esclarecer a população.
Além dos esquetes, a concessionária intensificou os avisos sonoros nas estações e nos trens, e está colocando mais adesivos indicadores nos vagões e no chão. Os esquetes vão acontecer até a próxima sexta-feira (01/09), entre 16h e 18h.


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