AUTORIDADES AFIRMAM QUE BAYER AGIU CORRETAMENTE NO ACIDENTE OCORRIDO EM JANEIRO

Apesar do consenso entre os presentes na audiência pública desta quarta-feira (27/06), de que a Bayer tomou todas as providências necessárias na explosão que espalhou no ar o produto tamaron – tipo de inseticida fabricado pela empresa –, o químico Gandi Giordano, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), afirmou que a empresa deveria ter monitorado a região após o acidente. Segundo Giordano, a Bayer deveria estar oferecendo relatórios sobre a condição da água e do solo para os moradores que vivem em volta da fábrica. O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito que apura os crimes ambientais ocorridos no estado nos último oito anos, deputado Paulo Ramos (PDT), que substituiu o presidente André do PV, achou apropriada a colocação do químico. “Ele fez uma intervenção com muita propriedade. Creio que a Bayer tomou todas as providências necessárias, mas, neste tipo de situação, toda colocação que possa contribuir para o trabalho da comissão é bem-vinda”, esclareceu Ramos.

O objetivo da audiência foi apurar a extensão dos danos ambientais causados pela explosão que ocorreu no dia 16 de janeiro de 2007, no Parque Industrial da Bayer, em Belford Roxo. De acordo com o diretor de Meio Ambiente da Bayer, Ênio Viterbo, houve um superaquecimento no tanque reservatório que guarda o produto, provocando a explosão e, em seguida, um incêndio. Ele ainda acrescentou que parte do produto foi queimado e outra parte foi acondicionada num tanque reserva. “Tomamos todas as providências necessárias após o acidente, combatendo o incêndio em menos de 50 minutos”, afirmou Viterbo.

O diretor-executivo industrial da Bayer, Flávio Abreu, disse que três funcionários ficaram feridos no incidente. Dois deles tiveram queimaduras e um sofreu uma fratura exposta na perna. Abreu descartou qualquer possibilidade de ocorrer outra explosão. “Nos últimos dez anos não tivemos nenhum tipo de acidente”, declarou Abreu. O secretário de Segurança do Município de Belford Roxo, coronel D´Ambrósio, concordou com as palavras do diretor executivo afirmando, ainda, que a empresa traz muitos benefícios para a cidade como empregos, renda e altos investimentos em infra-estrutura. Segundo ele, a secretaria foi informada na hora do acidente e foi observado que não havia nenhum tipo de risco para a população.

No dia do acidente, a Defesa Civil esteve presente no local e o procedimento tomado pela empresa, segundo o capitão Alex Almeida, foi exemplar. “Na parte de segurança aconteceu exatamente o acordado com a empresa. Nenhuma comunidade no entorno foi atingida e no local já havia o pessoal da Feema para cuidar da parte ambiental”, disse Almeida. De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Belford Roxo, Giovani Gidono, não houve nenhuma contaminação de água no entorno da fábrica e tudo aconteceu conforme o plano de risco da empresa. “Estamos monitorando a qualidade de vida dos funcionários e moradores da região e até agora não há nenhum caso relacionado ao acidente”, confirmou o secretário.

Segundo o diretor de Controle Ambiental da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), José Quirino, o local onde houve a explosão foi isolado e a empresa atendeu às normas. “Foi um descontrole operacional e a falha foi uma grande surpresa para nós”, observou Quirino, acrescentando que o órgão está iniciando um estudo sobre a qualidade do ar nos arredores da Bayer após o acidente.

Para o químico Gandi Giordano, da Uerj, a Feema deveria ter feito um estudo na época do acidente e não somente agora. Giordano completou dizendo que se o acidente tivesse ocorrido na matriz da empresa, localizada na Alemanha, os procedimentos tomados teriam sido mais rigorosos. “Gostaria que o relatório final da empresa fosse enviado à matriz para vermos a diferença de tratamento dispensado num caso como esse”, explicou o químico. De acordo com ele, a Bayer deveria ter sido mais pró-ativa e não deveria deixar somente a Feema cuidar dos estudos sobre o local.

Os deputados Comte Bitencourt (PPS) e Inês Pandeló (PT) participaram da audiência.

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