Memória Política Carioca e Fluminense

          Com a decretação da fusão dos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em 1º de julho de 1974, concretizava-se uma proposta que por décadas estivera presente nos principais espaços de discussão política. Mais do que a união de duas unidades federativas, a fusão promovia o amálgama de duas culturas políticas formadas a partir de matrizes e referenciais distintos que sempre haviam relutado em se pensar como elementos integrados.


          Com seus pontos de contato e suas diferenças, as trajetórias políticas da cidade e do estado do Rio de Janeiro haviam estabelecido um legado que fundamentava as formas distintas de liderança e de atuação políticas. Desde o período imperial, quando a cafeicultura da província fluminense propiciou condições para a estabilidade e o fausto da Corte no Rio de Janeiro, os itinerários percorridos pelas principais lideranças políticas das duas regiões evidenciavam tensões entre as duas esferas políticas.


           Se tradicionalmente a cidade do Rio de Janeiro se posicionava como a arena cosmopolita no debate político nacional, a "Velha Província" apresentava maior coesão de suas forças políticas e maior equilíbrio em sua integração territorial.


          Entre figuras emblemáticas como Carlos Lacerda, Tenório Cavalcanti, Chagas Freitas e Amaral Peixoto, cariocas e fluminenses construíram sua memória política e tiveram de formar as bases identitárias do novo estado do Rio de Janeiro.

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