07.05.2016 - 21:31
Por Isabela Cabral
90 ANOS DO PALÁCIO TIRADENTES: CALHAMBEQUE PERCORRE RUAS DO CENTRO E PEÇA LOTA PLENÁRIO
Ao contrário dos dias atuais, em 1926, quando o Palácio Tiradentes foi inaugurado, era comum ver um carro como o Ford Bigode rodando pelas ruas Centro do Rio de Janeiro. Pois neste sábado (07/05) uma cena chamou a atenção de quem passava pela Praça Mauá, Avenida Rio Branco, rua Primeiro de Março e Praça Tiradentes: um autêntico Ford Bigode 1929, carregando Tiradentes e seu delator, Joaquim Silvério dos Reis.
Os personagens do espetáculo Tiradentes, um Palácio de Histórias estavam divulgando a peça, que comemora o aniversário de 90 anos do Palácio, atual sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Foram duas apresentações: na sexta-feira (06/05) e no sábado. O público lotou as duas apresentaçôes: 750 pessoas prestigiaram o espetáculo, ao todo, sendo 300 na sexta e 450 no sábado.
Na véspera do Dia das Mães, Alana Ferreira e a mãe estavam na fila do Museu do Amanhã quando foram surpreendidas pela chegada do Ford Bigode. "Os atores estão muito bem vestidos e atuando muito bem, o que atraiu vários olhares. Me interessei bastante pela peça", disse. Leda Pontes, que também estava na fila e "conversou" com Tiradentes, contou que já visitou o Palácio: "Achei maravilhoso. Admiro demais a conservação desse Rio antigo."
Segundo o historiador Milton Teixeira, roteirista e estrela do espetáculo, parte do percurso feito pelo carro antigo é semelhante ao trecho pelo qual Tiradentes passou no último dia de vida. "Fomos desde o Palácio Tiradentes, onde era a Cadeia Velha, até onde ele foi enforcado, que hoje é mais ou menos na esquina da Avenida Passos com a Rua Buenos Aires, passando pelo Largo da Carioca. O Rio, felizmente, agora é outro - atualmente ninguém é enforcado por reclamar das taxas altas do Governo", disse.
A peça
O espetáculo conta detalhes e curiosidades das trajetórias de importantes figuras da história e da política nacional. Sob o comando de Milton Teixeira, os atores do grupo teatral Corsário Carioca deram vida, além de Tiradentes e Joaquim Silvério, a Getúlio Vargas, Luiz Carlos Prestes, Carlos Lacerda e Carlota Pereira de Queirós, a primeira mulher eleita deputada federal.
Se hoje sedia o legislativo fluminense, o Palácio Tiradentes foi inaugurado em 1926 para abrigar a Câmara dos Deputados, que ficou ali até Brasilia virar capital, em 1960. A peça procura colocar um embate entre três tendências políticas - centro, direita e esquerda - com referências aos dias atuais. Para Teixeira, o texto traz uma oportunidade de conscientização. “Estamos em um momento em que precisamos esquecer diferenças e nos unir para pensar um Brasil melhor. Esses personagens históricos podem nos ensinar algumas lições”, declarou o historiador.
Durante a encenação, Tiradentes e seu delator, com espadas em punho, travam um duelo no plenário. Ao fim, porém, deixam a rivalidade de lado e decidem lutar por um país melhor. Getúlio Vargas, Luiz Carlos Prestes e Carlos Lacerda também selam a paz com apertos de mãos. Carlota defende a ocupação feminina em todos os espaços, inclusive na política. A atriz aproveitou a véspera do Dia das Mães para fazer uma homenagem a todas as mulheres.
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