Situação dos ex-funcionários do Banerj é debatida na Alerj
Faltava um mês para Maria Helena Pereira se aposentar em 1996 quando foi demitida. Após 25 anos de serviço, 18 deles no Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj), a funcionária foi uma das escolhidas pela instituição para ser desligada. Em meio ao desespero e aos boatos que corriam durante o processo de privatização do banco, Maria Helena sacou todo o dinheiro que possuía junto à Caixa de Previdência do Sistema Banerj (Previ-Banerj). “Primeiro eu congelei a Previ-Banerj”, declarou. “Depois veio um boato muito forte para a gente sacar todo o dinheiro porque a Previ iria acabar”, lembrou Maria Helena.
A aposentada é uma das possíveis beneficiadas pelo projeto de lei 3.213/10 discutido em audiência pública promovida pela Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (14/08). O projeto, que já foi votado no Plenário em primeira discussão e tramita na Casa há oito anos, autoriza os participantes da Previ-Banerj que optaram em receber o pagamento de 100% das contribuições na época da liquidação extrajudicial a retornarem ao sistema de previdência do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a proposta, seria necessário haver a devolução do valor recebido, com atualização pelo índice oficial de correção.
De acordo com o diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários, Ronald Carvalhosa, na época da privatização do banco, cerca de 75% dos ativos não sabiam que poderiam optar por deixar o dinheiro em conta. A maior parte deles realizou o saque que os deixou sem nenhum tipo de benefício. Segundo ele, as pessoas que retiraram o dinheiro não tiveram direito ao passivo previdenciário, conhecido como "conta A". “Os beneficiários desse projeto receberam apenas sua reserva de poupança, suas contribuições pessoais, isto é, não receberam a cota patronal paga pelo banco, objeto de constituição da conta A”, explicou. Nela estariam inclusos todos os direitos de ativos e aposentados.
Emenda ao projeto
Durante a audiência, também foi debatida uma emenda que defende a concessão dos benefícios aos funcionários que se desligaram do Previ-Banerj a partir de janeiro de 1996 e tinham, pelo menos, dez anos completos de efetiva contribuição.
No final do debate, o diretor de imprensa do Sindicato dos Bancários, Ronald Carvalhosa, entregou um abaixo-assinado para o presidente da comissão com cerca de cinco mil assinaturas de trabalhadores, familiares e amigos dos ex-funcionários. O objetivo do documento é demonstrar o alcance social do projeto de lei. “Esse abaixo-assinado mostra a repercussão da causa e como ela é bem vista na sociedade”, justificou o diretor do sindicato. “A situação do Banerj é muito complexa, isso faz com que haja muita desinformação e muita dificuldade de compreender o que está em debate. Acho que o objetivo aqui foi plenamente alcançado”, concluiu Carvalhosa.
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