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28.05.2019 - 15:34 Por Buanna Rosa

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA ENFRENTAM DIFICULDADES NA AQUISIÇÃO DE INGRESSOS PARA A COPA AMÉRICA

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  • Por Rafael Wallace
    Comissão da Pessoa Com Deficiência
  • Por Rafael Wallace
    Patrícia Torres, moradora da Maré e mãe de Patrick, questiona o cumprimento da lei que garante a gratuidade na entrada de pessoas com deficiência nos estádios
  • Por Rafael Wallace
    O presidente da comissão, deputado Gil Vianna (PSL), as deputadas Franciane Motta (MDB) e Alana Passos (PSL) e o secretário de Esportes e Lazer do Estado do Rio, Felipe Bornier durante audiência da Comissão da Pessoa Com Deficiência
  • Por Rafael Wallace
    O presidente da Comissão da Pessoa Com Deficiência, deputado Gil Vianna (PSL), durante audiência da comissão
  • Por Rafael Wallace
    O secretário de Esportes e Lazer do Estado do Rio, Felipe Bornier, durante audiência da Comissão da Pessoa Com Deficiência

Com uma doença rara, que atinge uma em cada 500 mil pessoas, Patrick Torres, de 17 anos, é amante de futebol e apesar das limitações físicas para praticar o esporte ele sonha assistir uma partida na Copa América, que será sediada no Rio de Janeiro, a partir do dia 16 de junho. No entanto, tornar esse sonho realidade não é tão simples. Durante audiência pública da Comissão em Defesa da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), realizada nesta terça-feira (28/05), pais e deficientes reclamaram da dificuldade em adquirir os ingressos para os jogos.

A Lei 2.051/92 garante a gratuidade na entrada de pessoas com deficiência nos estádios, ginásios esportivos e parques aquáticos. Porém, segundo Patrícia Torres, moradora da Maré, e mãe de Patrick, essa medida não está sendo respeitada na compra de ingressos para o evento. “Quando entramos no site eles só disponibilizam a compra de meia entrada dos ingressos, que custam em média R$ 175. Não tenho condição de pagar por um ingresso como esse. Tenho garantida por lei a gratuidade para o meu filho e não consigo utilizar. E se você liga para o SAC eles só dão a gratuidade para os cadeirantes, o que é um absurdo, já que a lei não faz distinção entre as deficiências”, relatou.

A audiência pública tratou de importantes temas voltados à política de assistência social para os deficientes. Foram debatidos problemas em relação à burocracia na hora de garantir a gratuidade no transporte público, a falta de recursos para as instituições parceiras da Fundação para Infância e Adolescência (FIA), a falta de investimento em melhorias estruturais na cidade foram mencionadas pelos deficientes que compareceram na reunião, entre outros. "É preciso utilizar tecnologia para facilitar o dia a dia da população deficiente. Quando há grandes eventos na cidade isso é feito, mas quando eles deixam de existir tudo para de ser modernizado”, afirmou o defensor público Pedro Gonçalves.

Aplicação da lei

Sobre o caso do Patrick, o secretário de Estado de Esportes e Lazer do Estado do Rio, Felipe Bornier, explicou que a Copa América é um evento internacional, mas frisou que a legislação estadual deve ser respeitada. “O Maracanã hoje é gerenciado pelo Fluminense e pelo Flamengo, que detém a concessão do estádio. É nosso papel como governo fiscalizar essa gestão e vamos cumprir com essa obrigação. A gente sabe que a Copa América tem um padrão internacional, mas tudo que tem relação com a legislação, deve ser cumprido. Vamos, junto com a comissão, buscar soluções”, garantiu Bornier. O presidente da comissão, deputado Gil Vianna (PSL), antecipou que a comissão já enviou um ofício para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) solicitando explicações sobre o caso.

Coincidência ou não, Patrick, é tricolor roxo e espera ansioso a resolução do problema também pelo seu time de coração. “Ele assiste até partidas de times da Xexênia, acredita? Eu, como mãe, não gostaria de ver o meu filho impedido de realizar esse sonho pela falta de aplicação da lei. Estamos correndo contra o tempo, muitos ingressos para partidas de abertura e final já estão esgotados”, argumentou.

Direito ao acompanhante

Patrícia também lembrou que os acompanhantes não tem mais direito à gratuidade. Em 2015, foi aprovada a Lei Municipal 5.837 que assegurava esse benefício ao responsável pelo deficiente mas, há um ano, por decisão do Tribunal de Justiça, a lei foi decretada inconstitucional. Patrícia solicitou aos integrantes da comissão a criação de uma lei estadual que garanta este benefício. “É muito difícil custear todo o lazer de um deficiente que já gera muitos gastos com o tratamento especializado, ainda mais levando em conta a renda salarial baixíssima de muitas famílias. Meu filho não fala, não anda direito e tem retardo mental, ele não pode entrar em um estádio sozinho e, por isso, ele quase nunca vai a lugar algum. Não vejo como essa lei possa ser inconstitucional”, desabafou.

O presidente da comissão adiantou que vai propor uma norma que atenda a esse pedido. “Não só o acompanhante como o deficiente precisa ter direto a esta garantia. Vou procurar o presidente da Casa, consultar os nossos técnicos legislativos e verificar se já existe algum projeto de lei nesse sentido tramitando no parlamento. E vamos avaliar qual será o próximo passo da comissão”, concluiu o parlamentar. Também estiveram presentes à reunião as deputadas Alana Passos (PSL) e Franciane Motta (MDB).

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