ALERJ APROVA TOMBAMENTO DO TAMOIO FUTEBOL CLUBE DE SÃO GONÇALO
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou, nesta quarta-feira (02/03), o tombamento por interesse social, histórico e cultural do Tamoio Futebol Clube, localizado no bairro Zé Garoto, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. A votação se deu de forma nominal e 22 deputados foram favoráveis ao tombamento, 15 contrários e houve duas abstenções. O Projeto de Lei 5.064/21 é de autoria da deputada Zeidan (PT) e seguirá para a sanção ou veto do governador Cláudio Castro.
Fundado em 1917, o Tamoio Futebol Clube era o responsável por abrir o Carnaval carioca entre as décadas de 60 e 80, tendo seus concursos de fantasias luxuosas sendo transmitidos pelas emissoras de televisão da época. Os bailes que aconteciam no clube também eram bastante conhecidos na cidade. O Tamoio tem 104 anos e mais de 20 mil associados.
“O Clube Tamoio é patrimônio material e imaterial do povo gonçalense e de todos os fluminenses. Os moradores de São Gonçalo têm no Clube a sua mais forte referência de lazer e vida social, quem em São Gonçalo nunca foi a uma festa de debutantes no Tamoio? Quem no município nunca passou um domingo de sol no clube? Um clube com tamanha importância na vida das pessoas não pode deixar de existir, ou ter suas funções alteradas, principalmente em um município tão carente em opções de lazer e projetos sociais”, defendeu Zeidan.
Todo o acervo histórico e cultural que existe no imóvel, bem como todo o mobiliário, adornos e equipamentos que compõem o clube, também deverão ser tombados pelo estado. O tombamento proíbe qualquer destruição, descaracterização ou mudança de uso do imóvel em questão, bem como a transferência definitiva de suas atividades, admitida a transferência provisória em caso de necessidade decorrente de eventuais obras.
O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) procederá ao registro do tombamento do referido imóvel no Ofício de Registro de Imóveis competente.
Discussão em plenário
Parlamentares favoráveis e contrários ao tombamento discutiram o projeto em plenário. O deputado Jalmir Júnior (PRTB), natural de São Gonçalo, votou contra o projeto. Em seu discurso, ele deu um breve histórico sobre a questão do clube. Em 2014, a Justiça do Trabalho determinou o leilão do imóvel devido a dívidas trabalhistas, sendo comprado em 2017. Mas a Câmara Municipal de São Gonçalo aprovou o tombamento do imóvel. Já em 2022, os vereadores do município votaram pelo destombamento do clube.
“Depois do tombamento, o clube ficou totalmente abandonado. Houve aumento de todas as dívidas trabalhistas e ninguém tomou qualquer atitude. Moro na cidade e sou vereador licenciado em São Gonçalo”, disse Jalmir. Ele também ressaltou que o clube é um bem privado. “Manter um clube que passou por um processo judicial e se encontra abandonado não é viável. A venda e a realização de qualquer empreendimento na localidade geraria empregabilidade para o povo”, comentou o parlamentar.
Já os deputados favoráveis ao projeto (ao tombamento) afirmaram que foram procurados por moradores do município que pediram a preservação do clube. A deputada Martha Rocha (PDT), que já foi titular da Delegacia de São Gonçalo, declarou que o imóvel deveria ser utilizado para a cultura, o lazer e a oferta de serviços públicos à população.
“Fui delegada em São Gonçalo, sei da falta de equipamento de proteção às mulheres vulneráveis, sei que a delegacia do município está entre as que tem o maior índice de violência no Estado. Eu não preciso ter nascido lá para não entender a dor da população. É direito daqueles que se preocupam com São Gonçalo questionar os motivos de não se aproveitar aquele local para colocar ali um centro de cidadania, um centro esportivo, um centro de enfrentamento à intolerância religiosa, de proteção às mulheres e crianças. Estamos querendo garantir que aquele espaço não seja vendido. É importante ser construído ali um equipamento de cidadania”, concluiu a parlamentar.
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