JULHO AMARELO REFORÇA IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO PRECOCE DAS HEPATITES VIRAIS NO ESTADO DO RIO
A campanha Julho Amarelo chega ao Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, que é na próxima terça-feira (28/07), reforçando a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e do tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Consideradas doenças silenciosas, as hepatites podem permanecer anos sem apresentar sintomas e, quando não diagnosticadas a tempo, evoluir para complicações graves, como cirrose e câncer de fígado.
No Estado do Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa (Alerj) também contribuiu para fortalecer as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da doença por meio de leis que ampliam a segurança e o diagnóstico precoce.
Leis fortalecem prevenção e diagnóstico
Uma dessas iniciativas é a Lei Estadual nº 3.176/1999, que tornou obrigatória a realização de testes para hepatites B e C em todos os estabelecimentos hemoterápicos do estado, aumentando a segurança das transfusões de sangue. Já a Lei Estadual nº 8.652/2019 estimula a realização de testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites nas unidades de saúde estaduais, contribuindo para a identificação precoce dos casos e para o encaminhamento dos pacientes ao tratamento.
Segundo o Ministério da Saúde, existem diferentes tipos de hepatites virais, sendo as mais comuns as hepatites A, B e C. Enquanto a hepatite A está relacionada principalmente ao saneamento básico e à higiene, as hepatites B e C podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes. A vacinação contra a hepatite B é a principal forma de prevenção e está disponível gratuitamente pelo SUS.
Doença silenciosa exige atenção
Para o infectologista Edmilson Migowski, um dos principais desafios no combate às hepatites virais é o fato de a doença permanecer sem sintomas durante anos, o que reforça a importância da testagem precoce. “As hepatites virais, em particular as causadas pelos vírus B e C, são conhecidas como doenças silenciosas porque evoluem sem sinais e sintomas aparentes por anos. Quando o paciente começa a ficar aparentemente doente, muitos anos já se passaram. No caso dos vírus da hepatite B e C, o fígado é danificado lentamente e os sinais físicos surgem apenas quando a doença já está avançada”, explica.
O especialista lembra que o Ministério da Saúde recomenda que todas as pessoas façam o teste pelo menos uma vez na vida, especialmente gestantes, pessoas com 40 anos ou mais e quem já foi exposto a situações de risco, como relações sexuais desprotegidas ou compartilhamento de objetos perfurocortantes. “O diagnóstico precoce é fundamental porque o tratamento reduz as complicações e impede que a infecção evolua para doenças hepáticas crônicas irreversíveis, como cirrose, insuficiência hepática e hepatocarcinoma, que é o câncer de fígado”, destaca.
Estado amplia ações para eliminar hepatites até 2030
Segundo a gerente de Hepatites Virais da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Clarice Gdalevici Miodownik, o cenário das hepatites virais no Rio de Janeiro vem apresentando melhora em comparação ao período da pandemia, tanto em relação à vigilância epidemiológica quanto ao acesso ao tratamento. Apesar do avanço, ela ressalta que o estado ainda não retornou ao número de notificações registrado antes da Covid-19.
“A concorrência com outras emergências de saúde pública e a sobrecarga da atenção primária são alguns dos principais desafios para alcançarmos a meta de eliminação das hepatites virais até 2030”, afirma.
A especialista explica que o trabalho de prevenção acontece durante todo o ano. Durante o Julho Amarelo, a SES-RJ promove oficinas de manejo clínico para profissionais da rede estadual e municipal, além de apoiar ações de testagem rápida voltadas a populações em situação de vulnerabilidade, como pessoas privadas de liberdade, população em situação de rua, usuários dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), indígenas e quilombolas. Também foram realizados mutirões de elastografia hepática para auxiliar no diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.
Prevenção salva vidas
A Secretaria de Estado de Saúde orienta que pessoas que nunca realizaram o teste ou que tenham sido expostas a situações de risco procurem uma unidade de saúde para realizar a testagem. A vacinação contra a hepatite B também está disponível gratuitamente nas unidades do SUS e é recomendada conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações.
Além da vacinação, medidas como o uso de preservativos, a não reutilização de objetos perfurocortantes e a realização periódica de testes são fundamentais para reduzir a transmissão das hepatites virais. O diagnóstico precoce continua sendo a principal estratégia para evitar complicações e ampliar as chances de sucesso do tratamento.
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