PESSOAS COM DOENÇA CELÍACA PODEM LEVAR ALIMENTOS PARA EVENTOS ESPORTIVOS E CULTURAIS
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Por Reprodução da internet
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Por Arquivo pessoalA atleta de fisiculturismo Hélida Lays
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Por Arquivo pessoalA jornalista Danielly Alves
A medida, aprovada pela Alerj, estabelece que o direito vale tanto para eventos públicos quanto privados.
O retorno do Campeonato Brasileiro, após o fim da Copa do Mundo, voltou a lotar os estádios. Uma opção de lazer para a família toda, afinal, torcer para o time do coração é uma emoção e tanto. Mas, para pessoas com doença celíaca, uma ida ao estádio pode ser mais complicada. Celíacos não podem comer alimentos que contenham glúten ou que possa haver risco de contaminação cruzada. Por isso, pensando no bem estar e segurança desta parte da população, a Alerj aprovou uma lei permitindo que portadores de doença celíaca levem seus próprios alimentos para consumo, em ginásios esportivos e culturais.
A medida estabelece que o direito vale tanto para eventos públicos quanto privados. Para a entrada dos alimentos, será necessário portar laudo médico atestando a condição de doença celíaca. Os alimentos não poderão representar riscos à segurança do público e são proibidas embalagens de vidro e latas, utensílios perfurocortantes e produtos inflamáveis
Convivendo com a doença celíaca
De acordo com a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil, estima-se que a doença afete cerca de 1% da população mundial, o que pode representar milhões de brasileiros. Ainda assim, cerca de 80% das pessoas com a condição no país seguem sem diagnóstico.
O médico gastroenterologista Jayme Vignoli explica que a doença celíaca é autoimune e os sintomas podem variar bastante. “O organismo reage ao glúten, uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio. Algumas pessoas apresentam diarreia, dor e distensão abdominal, gases, perda de peso e cansaço. Outras podem ter anemia, osteoporose, alterações na pele ou até mesmo poucos sintomas, o que pode atrasar o diagnóstico”, afirma.
Quem conhece de perto esta realidade é a atleta de fisiculturismo Hélida Lays. Ela descobriu a doença há cerca de 10 anos. Por isso, sempre que vai competir ou mesmo apenas assistir a algum evento em arenas esportivas, leva seu lanche. “Costumo levar meus próprios alimentos por segurança. Até hoje, não tive nenhum tipo de problema para entrar com comida nos eventos que fui”, relata.
Já a jornalista Danielly Alves é celíaca há 5 anos. "Descobri por meio de um exame de endoscopia, eu tinha alguns sintomas como dores no estômago e manchas na pele, vermelhas, e fui investigar e descobrimos”, conta.
Torcedora do Flamengo, Dani, como é conhecida pelos amigos, frequenta os estádios sempre com os alimentos permitidos na bolsa. “Geralmente eu levo um sanduíche e uma barra de cereal e eu consigo entrar normalmente. Geralmente revistam a minha bolsa e não me barram por isso”, afirma.
Jayme Vignoli destaca que o tratamento para doença celíaca é feito à base de uma dieta sem o consumo total de glúten. “O tratamento, atualmente, é baseado em uma dieta rigorosamente isenta de glúten por toda a vida. Isso significa evitar alimentos que contenham trigo, cevada e centeio, além de ter cuidado com a contaminação cruzada durante o preparo dos alimentos. Quando a dieta é seguida corretamente, o intestino volta a cicatrizar, os sintomas melhoram e o risco de complicações diminui significativamente. Existem medicamentos em desenvolvimento e alguns estudos mostram resultados promissores, mas, até o momento, nenhum tratamento medicamentoso substitui a dieta sem glúten”, pontua.
Proteção para pessoas celíacas
Através da lei aprovada pela Alerj, poder entrar com os próprios alimentos em eventos esportivos e culturais é garantir a segurança e a saúde de pessoas com a doença celíaca. “Quando a pessoa que tem a doença consome alimentos com glúten, ocorre uma inflamação no intestino, prejudicando a absorção de vitaminas, minerais e outros nutrientes importantes”, enfatiza Dr Jayme.
Para Hélida, a norma traz liberdade para aproveitar os eventos. “Sinto mais segurança e tranquilidade, pois posso participar dos eventos e curtir o momento sem me preocupar em encontrar alimentos seguros para minha saúde”, relata.
Danielly reforça a sensação de segurança e a preocupação com a saúde. “A lei contribui principalmente para a minha segurança. Em alguns estádios, até tem pipoca, ou bebidas que são sem glúten, mas, no caso dos alimentos, existe a contaminação cruzada e que nos coloca em risco de passar mal. Infelizmente, ainda hoje, não temos a consciência nos locais de fazerem os produtos separadamente dos que têm glúten, para que a gente possa, como todas as outras pessoas, também ter o direito de comprar na hora. A gente precisa se precaver antes. Então a lei que permite esse acesso facilita muito a nossa saúde e o bem-estar”, conclui.
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