LEI APROVADA PELA ALERJ INCENTIVA JOVENS A EMPREENDER NO RIO DE JANEIRO
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Por Octacílio BarbosaA vendedora Maria Eduarda Oliveira
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Por Arquivo PessoalA confeiteira Taís Bordin
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Por Arquivo PessoalA confeiteira Thaís Duarte
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Por Arquivo PessoalO empresário e diretor criativo Misael Mululo
Ter mais flexibilidade e gerar impacto social são alguns dos motivos que estão motivando jovens a empreender, no Rio de Janeiro. De acordo com dados do Sebrae Rio, com base dos dados da Pnad-C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE, a geração Z representa 6% dos empreendedores no estado. A maioria opta pelo setor de serviços (69%) e comércio (17%). Depois, vem construção (6%), indústria (5%) e agropecuária (2%).
Ainda segundo o levantamento, a geração Z enfrenta mais dificuldades na hora de abrir e gerir seu próprio negócio. Desta fatia, 84% não possuem CNPJ, possuem um rendimento menor (uma média de pouco mais de R$ 2 mil) e engloba o grupo com menor percentual de empregadores, com cerca de 3%.
Pensando nessa fatia da população e no fomento à economia fluminense, a Alerj aprovou a lei que cria o Programa “Sou jovem, sou empreendedor”, cujo objetivo é incentivar a abertura de pequenos negócios criados por jovens entre 16 e 29 anos. São beneficiários do programa estudantes regularmente matriculados nas escolas da rede pública de ensino e estudantes bolsistas em cursos superiores ou técnicos.
Geração Z no comando
À frente da confeitaria “Doce Mel”, a jovem Thaís Duarte representa o público alvo que a lei busca atingir. Aos 27 anos, a confeitaria surgiu na vida dela em julho de 2020,no meio da pandemia. “Tinha acabado de perder o estágio e descobri que minha cachorrinha Mel estava com câncer no fígado. Eu testei uma receita de brownie, que era um doce que nunca tinha dado certo comigo, e pela primeira vez ele realmente deu certo mesmo, então mandei uns pedaços para dois primos e um deles pediu pra eu fazer mais que ele iria pagar. Foi aí que surgiu a ideia de como ter dinheiro para ajudar no tratamento da mel”, relembra.
Ao longo destes seis anos, Thais cita que o maior desafio para empreender foi se organizar financeiramente. “A falta de estudo me fez ter erros quase fatais para o funcionamento da loja. Normalmente, a gente acha que doce é só seguir uma receita e acreditar que tudo vai dar certo, mas se a farinha muda, isso pode afetar toda a receita. Saber o que você está fazendo, é essencial, e não falo só de receita, saber precificar, atender, marketing, e tudo o que envolve a sua empresa, principalmente quando você está começando, que normalmente é sozinho”, afirma.
Para ela, o Programa “Sou jovem, sou empreendedor” ajuda quem está começando a conseguir entender e estudar melhor o seu próprio negócio. “Instruções podem salvar uma empresa da falência e a crescer mais rápido. Saber em que mundo você está entrando vai evitar erros e saber como corrigir. Acho que se eu tivesse ajuda no começo, a loja teria evoluído mais rápido”, complementa.
Empreendedores em todas as gerações
Além da geração Z, que está buscando um lugar ao sol no mercado, muitos Millennials ( os 30+), já trilharam o caminho de empreender e se consolidam em diversos segmentos.
A prova disso é um outro levantamento realizado pelo SEBRAE. O estudo mostra que o Rio reúne mais de 2 milhões de pequenos negócios, que representam 89,2% das empresas ativas no estado. Das empresas fluminenses, os microempreendedores representam 55,3%. Já entre as microempresas e empresas de pequeno porte, o Rio registra participação de 27,6% e 6,3%.
É o caso da confeiteira Tais Bordin, de 39 anos. Formada em marketing e com atuação na área, há mais de dez anos, ela começou a dar os primeiros passos para mudar de vida.
A confeitaria, que antes era apenas um hobby, ganhou espaço. Em 2021, após se profissionalizar, abriu o seu próprio negócio. Ela atua em todas as frentes do negócio, além da produção dos doces. Cuida do financeiro, das redes sociais e do estoque. E, estando sozinha para administrar tudo, este foi o maior desafio encontrado por ela: entender cada um desses processos. “Meu erro acho que foi não dimensionar o que eu teria que administrar tendo algo próprio e achar que teria muita liberdade e flexibilidade. Hoje, com organização e disciplina eu consigo trabalhar muito melhor que no começo.” diz.
Tais acredita que o programa para auxiliar o jovem empreendedor contribui para que a empresa já comece com um norte traçado, o que diminui as chances do projeto dar errado. “Acho que pode ajudar muito aos jovens a aprenderem coisas que nós só aprendemos na "marra".Um olhar de fora de quem tem a acrescentar pode acalmar e ajudar a empresa a já começar organizada”, afirma.
O empresário e diretor criativo Misael Mululo também faz parte da população 30+ que arregaçou as mangas e foi trabalhar por conta própria. Ele é o fundador da Fluxus, empresa que nasceu a partir da experiência que tem no mercado criativo e audiovisual. “A Fluxus nasceu de uma vontade que eu já carregava há muitos anos: eu não queria apenas executar, queria construir as minhas próprias ideias e liderar projetos a partir da minha visão criativa, impactando pessoas positivamente. A empresa atua na interseção entre estratégia, criatividade, tecnologia e comunicação”, explica.
Mululu enfrentou algumas barreiras até fundar a Fluxus, como “confundir” talento com capacidade de gestão. O empresário abriu o primeiro estúdio aos 23 anos. “Éramos jovens, tínhamos vontade de fazer acontecer, mas não tínhamos a estrutura necessária para administrar uma empresa e ela acabou quebrando. Aquela experiência me ensinou que não basta saber produzir. Você precisa saber vender, precificar, controlar custos, organizar processos, construir relacionamento com clientes e tomar decisões pensando no negócio, e não apenas no próximo projeto”, pontua.
Sobre a lei aprovada na Alerj, Misael acha importante quando o poder público cria mecanismos que ajudem o jovem a transformar uma ideia em um negócio estruturado. "Quando abri esse estúdio que deu errado,um programa como esse poderia ter feito uma diferença enorme na minha trajetória. Minha história me mostrou que talento pode abrir uma porta, mas é preciso aprender a transformar esse talento em uma estrutura capaz de gerar valor e sustentar um negócio.
Iniciativas como essa fazem com que outros jovens tenham acesso a informações e ferramentas que eu precisei descobrir sozinho ao longo de muitos anos”, conclui.
Capacitação e crédito a empreendedores de comunidades do Rio
Para impulsionar pequenos empreendedores e moradores de comunidades do Estado do Rio, a Alerj também analisa o Projeto de Lei 6.315/25, que prevê capacitação gratuita, orientação técnica e linhas de crédito com condições diferenciadas, ampliando as oportunidades para a abertura, formalização e expansão de negócios. A iniciativa, que cria o Programa Comunidade que Empreende e Prospera, segue em discussão no plenário e, caso seja aprovada, seguirá para sanção do governador.
O Programa será destinado a empreendedores que já atuem ou pretendam desenvolver atividades econômicas em comunidades, além de jovens e adultos interessados em abrir um negócio ou formalizar um empreendimento que funciona na informalidade. Também poderão ser contemplados moradores de áreas consideradas de vulnerabilidade social, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH).
A legislação fala diretamente com a moradora da Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, a empresária Maria Eduarda Oliveira, de 27 anos. Ela fundou a Mary Pops, uma marca de pipoca gourmet. Pelas ruas do Rio, Duda leva as pipocas feitas por ela, em uma cestinha dourada, carregada de esperança, amor e dedicação.
“A ideia de empreender surgiu em um momento de transição da minha vida. Eu estava procurando oportunidades, não estava na faculdade, não tinha sido aprovada em um concurso e também estava procurando emprego. Eu colocava currículos, mas as coisas não estavam caminhando como eu esperava. Até que, em um culto na igreja, ouvi um pastor contar uma história bíblica que me inspirou. Uma das minhas avós me ensinou a fazer pipoca gourmet. Foi então, naquele culto, olhei pra mim e percebi que eu tinha algumas coisas nas minhas mãos”, relembra.
A rotina da Duda começa bem cedo e vai muito além de cozinhar. “Pela manhã, organizo a cozinha, limpo, preparo os materiais e começo a produção das pipocas. Normalmente fico produzindo durante toda a manhã, até por volta das 10h/10h30. Depois da produção, vem uma parte que muitas vezes as pessoas não enxergam, limpar e organizar tudo novamente, deixar a cozinha em ordem, organizar os materiais e me preparar pra sair”, explica.
Ela reconhece que jovens periféricos enfrentam barreiras ainda maiores na hora de empreender. "Hoje, um dos meus maiores desafios é a estrutura. Eu ainda não tenho um espaço que me permita manter um estoque de materiais. Outra questão é não ter uma orientação, alguém que diga como tocar o negócio”, pontua.
Ao tomar conhecimento do Projeto de Lei da Alerj, a jovem empreendedora acredita que a medida vai ajudar e muito quem pensa em gerir seu próprio negócio. “Quando parei pra conhecer o Projeto fiquei feliz por ver que a proposta prevê justamente alguns pontos que considero importantes para quem está começando, capacitação gratuita, orientação técnica, gestão financeira, planejamento, inovação, formalização e possibilidades de acesso a crédito. O projeto também propõe uma rede de apoio para pequenos empreendedores, jovens e pessoas que vivem ou trabalham em comunidades e áreas de vulnerabilidade social. Acredito que podemos mudar a nossa realidade através do trabalho digno, da criatividade, da persistência e também da fé. E o meu sonho é que aquilo que começou com uma pequena cestinha de pipoca nas ruas possa crescer, gerar dignidade, renda e no futuro, também gerar oportunidades”, finaliza.
Entre as ações previstas estão cursos gratuitos sobre gestão de negócios e finanças pessoais, planejamento estratégico, controle orçamentário, formalização e benefícios do Microempreendedor Individual (MEI), marketing digital, vendas, inovação e desenvolvimento sustentável. As capacitações poderão acontecer presencialmente ou pela internet.
O programa também prevê consultoria individualizada para os participantes, desde o diagnóstico da ideia ou do negócio até a elaboração de planos e o acompanhamento para sua consolidação e expansão. O serviço poderá contar com profissionais voluntários e parcerias com empresas, incubadoras de negócios e centros de empreendedorismo.
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