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18.10.2026 - 10:00 Por Buanna Rosa

ARQUIVO DA ALERJ PRESERVA DOCUMENTOS HISTÓRICOS E GUARDA A MEMÓRIA DO PARLAMENTO FLUMINENSE

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  • Por Alex Ramos
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Com cerca de 90% do acervo ainda em formato físico, o setor reúne registros de acontecimentos políticos e administrativos do estado; a digitalização do material é um dos principais desafios.

Muito antes de os documentos públicos serem armazenados em computadores e disponibilizados com poucos cliques na internet, a história política do Rio de Janeiro já era registrada em milhares de páginas de papel. Atas, processos administrativos, investigações parlamentares e documentos históricos atravessaram décadas e hoje fazem parte de um acervo que ajuda a contar a trajetória do Parlamento fluminense. Esse patrimônio é preservado pelo setor de Arquivo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O espaço abriga registros fundamentais para compreender decisões políticas, mudanças administrativas e acontecimentos que marcaram a história do estado. Parte desse material antecede a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, ocorrida em 1975, que deu origem à atual configuração territorial fluminense.

À frente do setor desde 2022, a diretora Evelin Marinho conta que ela própria desconhecia a dimensão histórica do acervo quando assumiu a função. Na época, os documentos estavam armazenados no Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa, no Centro do Rio.

"Só quando fui conhecer os funcionários e o material que estava guardado, percebi que ali está o coração do Legislativo. Tenho documentos desde 1856. É muito bonito o que temos guardado, além de ser uma quantidade expressiva. Todo o nosso acervo daria 20 voltas no Estádio do Maracanã", afirma.

A descoberta transformou a relação da diretora com o trabalho. Segundo Evelin, a documentação permite reconstruir acontecimentos políticos e acompanhar a evolução do Parlamento ao longo das décadas.

Da Guanabara aos dias atuais

Entre os registros estão documentos anteriores à fusão dos estados, como a monografia de autoria de Admar Morpurgo, com a síntese de duzentas biografias parlamentares da década de 1940. Segundo o historiador Douglas Libório, uma das particularidades do arquivo da Alerj é a diversidade de registros.

“O arquivo acompanha a própria história da cidade do Rio de Janeiro, que já foi capital do Brasil, e reúne documentos de diferentes estruturas políticas e administrativas, que incluem documentos do antigo Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói; da Assembleia Legislativa da Guanabara e da antiga Câmara Municipal do Distrito Federal, além de materiais referentes à fusão. É um acervo que não pode ser compreendido de forma linear, mas a partir de rastros, fragmentos e camadas que revelam as diferentes facetas da história política fluminense”, explicou o historiador.

Registros de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) também podem ser encontrados no setor. Eles ajudam a compreender a atuação fiscalizadora do Parlamento em diferentes momentos. O acervo também contempla episódios mais recentes da política estadual, como o processo de impeachment do ex-governador Wilson Witzel, concluído em 2021, cujos registros administrativos integram a documentação sob responsabilidade da Casa.

Outro conjunto documental é o de Pesquisa Legislativa, composto por publicações que registram as atividades desenvolvidas ao longo das legislaturas. Além de permitir o acompanhamento da atuação dos deputados, esses materiais contribuem para a preservação da memória institucional da Alerj e ajudam a reconstruir a trajetória do Parlamento fluminense.

Digitalização é um dos principais desafios

Apesar da relevância histórica, grande parte desse patrimônio ainda depende de consulta presencial. Segundo Evelin, aproximadamente 90% do acervo está em formato físico, o que representa um desafio para a preservação e a ampliação do acesso às informações. Atualmente, os documentos mais antigos permanecem armazenados no térreo do Palácio Tiradentes. Já na sede atual da Assembleia, no Edifício Lúcio Costa, também no Centro do Rio, está guardado o acervo corrente, que reúne documentos a partir de 2021.

Em uma época marcada pela facilidade de acesso à informação por meios digitais, transformar documentos físicos em arquivos eletrônicos é uma das prioridades defendidas pela diretora. O objetivo é permitir que pesquisadores, historiadores, jornalistas e a própria população possam consultar parte desse patrimônio de maneira mais acessível.

"Eu luto muito para conseguirmos trazer à tona essas histórias. As pessoas hoje estão muito acostumadas com a era digital e nem tudo que temos ainda está digitalizado. Meu sonho é digitalizar e colocar tudo em um portal", afirma Evelin.

A diretora explica que recebe pedidos de historiadores interessados em consultar registros antigos e que, após os procedimentos necessários, acompanha pessoalmente os pesquisadores até o material. "Hoje tenho muita pesquisa de historiador. Eu pego a pesquisa dele, solicito à Casa por processo e levo o historiador até o material físico", conclui a diretora.

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