PUBLICAÇÕES

NOTÍCIAS
VOLTAR

FacebookTwitterWhatsappEmail

16.10.2026 - 10:00 Por Fátima Gomes

ENTRE O DESPERDÍCIO E O PRATO VAZIO: LEIS DA ALERJ INCENTIVAM DOAÇÕES E O COMBATE À FOME

1/1
  • Por Octacílio Barbosa
  • Por Octacílio Barbosa
  • Por Octacílio Barbosa
    Simone Benase
  • Por Foto de divulgação
  • Por Foto de divulgação

No Dia Mundial da Alimentação, tecnologia e redes de solidariedade mostram como levar alimentos de onde sobram para onde fazem falta.

Alimentos próprios para consumo acabam no lixo, enquanto há pessoas que não conseguem garantir sequer uma refeição por dia e passam fome. Reduzir essa distância entre o desperdício e o prato vazio exige ações em toda a cadeia, da produção ao consumo. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16/10), leis aprovadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e iniciativas sociais mostram caminhos para ampliar o acesso à comida.

As perdas começam muito antes de o alimento chegar à mesa. Podem ocorrer no plantio, na colheita, no armazenamento, no transporte e na comercialização. O desperdício continua nas cozinhas industriais, nos restaurantes e em nossas casas, com o descarte de alimentos que poderiam ser aproveitados.

Em publicação de setembro de 2026, o Pacto Contra a Fome cita uma estimativa de que 77 quilos de alimentos são desperdiçados por brasileiro a cada ano. Ao considerar toda a cadeia, o diagnóstico elaborado pela organização e pela Integration Consulting, em 2022, estima perdas e desperdício de 55,4 de toneladas anuais no país. Os números são referencias utilizadas no debate atual.

No Rio, uma experiência mostra o potencial da redistribuição. Entre janeiro e agosto de 2026, o programa Destino Certo, do Assaí Atacadista, encaminhou 267 toneladas de frutas, legumes e verduras a organizações sociais e bancos de alimentos no estado. Segundo o balanço, os produtos contribuíram para o preparo de aproximadamente 490 mil refeições. Eram alimentos sem valor comercial por suas características visuais, mas ainda adequados ao consumo.

Tecnologia contra a fome

Unir quem tem alimentos disponíveis a quem precisa recebê-los é uma das propostas do Instituto Fome de Tudo, fundado por Úrsula Corona. A iniciativa utiliza tecnologia para aproximar empresas com excedentes de instituições sociais, facilitando o encaminhamento de produtos que podem ganhar outro destino em vez do descarte.

O trabalho também busca fortalecer pequenos produtores e ampliar o alcance das ações de combate à fome. Segundo o Instituto Fome de Tudo, a iniciativa já ajudou 400 mil pessoas e contribuiu para a distribuição de 9 milhões de refeições. A operação movimenta cerca de 500 toneladas de alimentos por mês e reúne uma rede de 4,5 mil parceiros, conectando quem tem alimentos disponíveis a quem precisa recebê-los.

“O que mais quero é contribuir com o nosso país e escalar nossa tecnologia para empoderar economicamente cada vez mais os pequenos produtores”, ressalta Úrsula.

Em parceria com o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (WFP), o instituto desenvolve a campanha Fome Não Tira Férias, que mobiliza apoio para ampliar o acesso de crianças à alimentação durante férias, recessos e outros períodos sem aulas. A iniciativa busca manter a proteção alimentar além do calendário escolar.

Da doação à mesa

No Rio, o Banco de Alimentos da Ceasa captou 100 toneladas de produtos em agosto de 2026, atendendo 300 instituições e cerca de 60 mil pessoas, segundo balanço divulgado em setembro. O abastecimento reúne doações de empresas que atuam na Central e produtos comprados da agricultura familiar pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

O Sesc Mesa Brasil RJ também faz essa ligação entre doadores e instituições socioassistenciais. O programa recolhe alimentos próprios para consumo que deixariam de ser comercializados e os encaminha a organizações cadastradas. Além disso, promove atividades educativas sobre aproveitamento integral e mantém parceria com agricultores de Nova Friburgo para recolher excedentes e produtos fora dos padrões comerciais.

A Ação da Cidadania, responsável pelo Natal sem Fome, atua na arrecadação e distribuição de alimentos. Na sede nacional, no Rio, banco de alimentos e Cozinha Solidária integram uma estrutura que reúne preparo de refeições, formação em gastronomia social e hortas.

Do campo à mesa, apoio previsto em lei

A Lei 10.543/24, de autoria da deputada Renata Souza (Psol), instituiu o Programa Estadual para a Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar, Pequenos Produtores e Pescadores Artesanais. A medida prevê a aquisição de produtos para atender pessoas em situação de vulnerabilidade e abastecer restaurantes e cozinhas comunitárias, coletivas e solidárias.

Outras normas ampliam essa proteção. A Lei 10.702/25, do deputado Danniel Librelon (REP), instituiu o Programa de Segurança Alimentar para Atendimento de Pessoas em Situação de Rua. Já a Lei 10.793/2025, da deputada Marina do MST, determina a notificação compulsória, por profissionais e gestores de saúde, de casos com indícios de insegurança alimentar e nutricional.

Menos desperdício, mais economia em casa

Dentro de casa, evitar perdas começa antes das compras. Conferir a geladeira e a despensa, planejar as refeições e levar quantidades compatíveis com o consumo da família ajudam a aproveitar melhor os alimentos e o orçamento.

“Quando jogo comida fora, sinto que estou jogando dinheiro fora também. Por isso, passei a conferir o que tenho em casa antes de comprar e a levar só o que consigo consumir. Também procuro aproveitar melhor os alimentos: as cascas de algumas frutas, por exemplo, uso para fazer suco”, conta a dona de casa Simone Benase, de 48 anos.

Além de planejar as compras, aproveitar melhor os ingredientes também ajuda a reduzir o desperdício. A nutricionista Lilian Gullo explica como partes habitualmente descartadas podem ganhar espaço no cardápio.

“Muitas partes que costumamos descartar podem ser utilizadas em preparações saborosas e nutritivas. Talos de brócolis, couve e beterraba podem enriquecer sopas, refogados e recheios. Folhas de cenoura e de beterraba podem ser usadas em omeletes, bolinhos e farofas. Cascas de abóbora, batata e berinjela podem entrar em preparações assadas, refogadas e crocantes. Combater o desperdício significa reconhecer o valor de cada alimento e de cada pessoa que trabalha para que ele chegue até nós”, afirma.

Saiba como ajudar

Instituto Fome de Tudo: empresas e instituições podem buscar orientações pelo site fomedetudo.com ou pelo e-mail contato@fomedetudo.com. A campanha Fome Não Tira Férias recebe contribuições pelo site fomenaotiraferias.com.

Sesc Mesa Brasil RJ: interessados em estabelecer parcerias e doar alimentos podem entrar em contato pelo e-mail mesabrasil@sescrio.org.br. A equipe orienta sobre as condições de recebimento e encaminhamento dos produtos neste site.

Ação da Cidadania: pessoas e empresas podem consultar as formas de contribuição e as campanhas de arrecadação no site acaodacidadania.org.br.

 

FacebookTwitterWhatsappEmail