EXPOSIÇÃO "CIDADES LÍQUIDAS" TRANSFORMA CAFÉ EM ARTE NO PALÁCIO TIRADENTES
Com entrada gratuita, mostra reúne 30 obras do artista francês Jèrôme Poignard e integra a programação comemorativa do centenário da sede histórica da Alerj
A mistura de aquarela e café ganhou espaço no Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a abertura da exposição “Cidades Líquidas: arte em aquarela e café”, realizada nesta quinta-feira (15/10). Promovida pela Subdiretoria-Geral de Cultura da Casa, a mostra reúne 30 obras do artista plástico francês Jèrôme Poignard e fica em cartaz até 11 de novembro, com entrada gratuita.
Com curadoria de Germana Portella e Leonardo Guimarães, a exposição apresenta paisagens urbanas e impressões afetivas construídas a partir das experiências do artista entre o Rio de Janeiro e Paris, na França, onde viveu antes de estabelecer residência na capital fluminense. A técnica combina a fluidez da aquarela com o café, matéria que também integra a identidade arquitetônica do Palácio Tiradentes.
A mostra apresenta ainda influências do fauvismo, movimento artístico surgido na França no início do século XX, marcado pelo uso expressivo de cores puras e vibrantes.
Arte e história se encontram no Palácio
Francês nascido em Fontainebleau, em 1973, Jèrôme Poignard vive no Rio de Janeiro há 28 anos. Pintor, ilustrador e designer, ao longo de sua trajetória a capital fluminense se tornou uma de suas principais fontes de inspiração.
A escolha do Palácio Tiradentes para receber a exposição também representa, para o artista, uma oportunidade de compartilhar sua produção com a cidade que marcou sua trajetória pessoal e profissional. “Eu decidi trazer minha exposição para um palácio tão importante, histórico e aberto ao público, para compartilhar minha arte com todos os cariocas e também com os visitantes que por aqui transitam todos os dias. É uma forma de compartilhar com essa cidade que sempre me acolheu e me tornou o artista que sou”, afirmou Poignard.
Para a diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, a exposição estabelece uma relação entre a identidade do prédio e uma matéria-prima presente tanto na história econômica brasileira quanto na decoração do prédio. “O mais interessante dessa exposição é transformar em arte um elemento que faz parte da própria história e arquitetura do Palácio: o café. É muito interessante ver como essa referência, presente na decoração do prédio, também pode ser explorada por meio da pintura e da aquarela”, destacou.
A influência do café na arquitetura
A presença do café na exposição dialoga diretamente com a história do Palácio Tiradentes. Quando o edifício foi construído, na década de 1920, o produto ocupava posição central na economia brasileira, como um dos principais itens de exportação do país. Essa importância se refletiu na arquitetura do prédio, que reúne referências ao grão em diferentes elementos decorativos.
Ramos, folhas e frutos de café aparecem nos entalhes de madeira, nos adornos das portas e nas paredes do Salão Nobre. Outro destaque é a Sala do Café, localizada no segundo andar do Palácio. Projetado em estilo renascentista italiano, o ambiente foi concebido como espaço de convivência entre os deputados.
Para Leonardo Guimarães, produtor cultural do Palácio Tiradentes e um dos curadores da exposição, a convergência entre a técnica do artista e os elementos históricos do prédio tornou a proposta especialmente significativa. “Essa coincidência da temática do café, que faz parte diretamente da arquitetura do Palácio, foi um achado. É uma técnica maravilhosa, que combina aquarela e água. Por isso o nome ‘Cidades Líquidas’. Ele enfeita realmente o Palácio com essas cores vibrantes e com a técnica do café”, explicou.
A curadora Germana Portella também destacou a importância de aproximar a produção artística de um espaço histórico ligado à vida política e cultural do estado. “Embora tenha sido a Casa das Leis, o Palácio também tem essa função maravilhosa de acolher projetos de arte e cultura”, afirmou.
Ao reunir arte contemporânea, memória urbana e referências à história do café, “Cidades Líquidas” transforma elementos familiares do cotidiano em novas possibilidades de leitura e convida o público a descobrir outras formas de olhar para as cidades e para o próprio Palácio Tiradentes.
SERVIÇO
Exposição: Cidades Líquidas: arte em aquarela e café
Período: de 15 de outubro a 11 de novembro de 2026
Local: Palácio Tiradentes — Rua Primeiro de Março, s/nº, Praça XV, Centro do Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Acessibilidade: acesso para cadeirantes pela Rua Dom Manuel, s/nº, atrás do Palácio.
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