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20.10.2026 - 17:08 Por Daniela Abreu

PRIMEIRA EDIÇÃO DO 'MULHERES EM REDE' REÚNE NA ELERJ ESPECIALISTAS PARA DEBATER O ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

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  • Por Thiago Lontra
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Projeto prossegue na quinta-feira (22/10), com a participação da atriz e ativista Luiza Brunet.

A Escola do Legislativo (Elerj), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizou, nesta terça-feira (20/10), as primeiras palestras do projeto “Mulheres em Rede”, iniciativa voltada à discussão sobre direitos, cidadania e políticas públicas para as mulheres. Os debates aconteceram no segundo andar do Edifício Lúcio Costa, sede do Parlamento Fluminense, e abordaram o enfrentamento à violência de gênero, os mecanismos de proteção e a importância das redes de apoio. A programação prossegue na quinta-feira (22/10), com o debate sobre saúde, equilíbrio e qualidade de vida, que terá a participação da atriz, empresária e ativista Luiza Brunet.

A primeira mesa teve como tema a Lei Maria da Penha, com discussões sobre prevenção à violência, proteção às vítimas e atuação da rede de atendimento. Responsável pela mediação, a jornalista Marieta Meirelles destacou a importância de aproximar a sociedade das discussões promovidas pelo Poder Legislativo, especialmente no ano em que a legislação completa 20 anos.

“O ‘Mulheres em Rede’ traz a sociedade para a conversa. Este ano a Lei Maria da Penha completou 20 anos e a gente sabe que a lei avançou, mas será que a sociedade também? Essa rede de diálogo com profissionais que atuam no enfrentamento e no acolhimento foi fundamental, porque convoca a sociedade para o debate”, disse Marieta, frisando que a Alerj foi a primeira Casa Legislativa a implantar uma Sala Lilás, com equipe multidisciplinar para atender mulheres vítimas.

O debate reuniu profissionais com diferentes experiências na prevenção e no enfrentamento à violência contra a mulher. Participaram a campeã brasileira e sul-americana de jiu-jítsu Elen Catiuce; a delegada Giselle do Espírito Santo, com ampla experiência à frente de Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam); e a tenente-coronel Fabiana Brito, coordenadora do Programa Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro.

À frente da coordenação estadual da Patrulha Maria da Penha desde julho deste ano, Fabiana ressaltou a necessidade de manter a conscientização sobre a violência doméstica durante todo o ano, para além das campanhas realizadas em agosto, mês de aniversário da Lei Maria da Penha.

“Eu costumo dizer que a violência contra a mulher não acontece somente em agosto e que precisamos falar sobre isso e informar o ano todo. Por isso, iniciativas como esta são muito positivas para toda a sociedade”, pontuou.

A tenente-coronel também explicou que uma das principais atribuições da Patrulha Maria da Penha é fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas e atuar na prevenção de novos episódios de violência, incluindo o feminicídio. Ao abordar os desafios enfrentados pelas forças de segurança, ela citou os 105 feminicídios registrados em 2025 no estado e chamou a atenção para a ausência de registros de ocorrência e medidas protetivas nesses casos.

Com mais de uma década de experiência à frente de uma Deam, a delegada Giselle do Espírito Santo defendeu a atuação integrada dos serviços públicos e da sociedade civil. Segundo ela, a proteção das mulheres exige ações que ultrapassam o trabalho policial, envolvendo profissionais de diferentes áreas para garantir acolhimento, orientação e prevenção.

“O enfrentamento à violência contra a mulher não pode ser feito sozinho, é importante o fortalecimento de rede. Como delegada, eu digo que esse é um problema que não será resolvido somente com a segurança pública. É uma interação de diversas mãos com assistentes sociais, educadores, profissionais da saúde, cada um nos seus espaços, fazendo esse enfrentamento em rede”, pontuou a delegada.

A importância da preparação física e emocional das mulheres também esteve entre os assuntos discutidos. Campeã de jiu-jítsu, Elen Catiuce abordou a prática de defesa pessoal como instrumento de fortalecimento da autoconfiança e da capacidade de reação diante de situações de risco. A atleta contou que nunca precisou utilizar suas técnicas de luta para se defender, mas considera importante que as mulheres tenham acesso a esse conhecimento.

“Eu digo sempre que é melhor saber e não precisar usar do que precisar e não saber o que fazer. O jiu-jitsu ajuda a empoderar mais a mulher, prepara ela fisicamente e emocionalmente e nos deixa mais alerta no dia a dia”, ressaltou a atleta.

Redes de apoio e conscientização

A segunda mesa ampliou a discussão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres e a importância das redes de apoio. Participaram do encontro a deputada Giselle Monteiro (PL), o economista e escritor Marcelo Spala, a advogada especializada em Direito de Família Mariza Gaudio e a presidente de honra do Instituto Unidas pela Vida, Patrícia Silva.

Entre os temas abordados esteve a situação de mulheres que, além de enfrentarem o diagnóstico e o tratamento do câncer, convivem com a violência doméstica. Patrícia Silva destacou que o acolhimento dessas pacientes não pode se limitar aos cuidados oncológicos, uma vez que as situações de vulnerabilidade podem envolver diferentes aspectos.

“Quando falamos em mulheres acometidas pelo câncer, estamos falando de mulheres em geral e não podemos falar apenas da pauta que abraçamos durante todo o ano, que é a oncologia. Enquanto nós estamos aqui, têm mulheres de todos os tipos, com quaisquer condições de saúde, sendo vítimas de violência”, destacou Patrícia.

A necessidade de envolver os homens nas discussões sobre violência de gênero também foi defendida durante o encontro. Para o economista e escritor Marcelo Spala, o enfrentamento do problema exige uma mudança de comportamento masculino, especialmente em relação às ideias de posse, poder e autoridade sobre as mulheres.

“Entendemos que a violência de gênero não é um problema das mulheres, é um problema dos homens. Nós é que temos que ter consciência de que a maior parte desse problema está no sentimento de posse e de poder e autoridade sobre as mulheres, que podem ser, estar e viver como elas quiserem”, disse.

Representando o Parlamento fluminense no debate, a deputada Giselle Monteiro colocou seu mandato à disposição das iniciativas de enfrentamento à violência contra a mulher e destacou o papel da fiscalização das instituições públicas na garantia dos direitos femininos.

“Eu sigo na função de fiscalizar as instituições públicas e me ponho à disposição. Meu gabinete está de portas abertas para atuar com todas vocês na causa”, disse a parlamentar.

Próximo debate

A programação do “Mulheres em Rede” será encerrada na quinta-feira, com a mesa “Mulher: Saúde, Equilíbrio e Qualidade de Vida”. O encontro contará com a participação do médico ginecologista Nilson Batista; da coordenadora da Sociedade Brasileira de Mastologia, Mônica Travassos; da atriz, empresária e ativista pelos direitos das mulheres Luiza Brunet; e da especialista em educação financeira Amanda Pessoa.

 

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