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23.05.2019 - 18:08 Por Fátima Albuquerque

COMISSÃO DE SAÚDE DA ALERJ: 43 MUNICÍPIOS DO ESTADO NÃO TÊM MAMÓGRAFOS

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  • Por Octacílio Barbosa
    Foto geral da reunião
  • Por Octacílio Barbosa
    Dr Deodalto (DEM)
  • Por Octacílio Barbosa
    A deputada Lucinha (PSDB)

Cada mamógrafo possui capacidade para realizar mais de 900 mil exames por ano, mas atualmente apenas 266 mil são realizados

Audiência da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sobre falta de mamógrafos revela cenário alarmante sobre diagnóstico e tratamento do câncer de mama na capital e no estado do Rio. Hoje 43 municípios não dispõem do aparelho. De acordo com o Conselho Estadual de Saúde, as mulheres levam de cinco a seis meses para realização do exame e estão morrendo vítimas da doença por falta de planejamento adequado - o Hospital Mario Kroeff, na Penha, registra 100 novos casos da doença por mês. De acordo com os dados apresentados, em todo o estado atualmente existem 654 aparelhos nas redes privada e pública, sendo 188 disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Desse total, apenas 42 estão na rede pública municipal. Além disso, muitos aparelhos encontram-se quebrados ou faltam operadores e médicos para assinarem os laudos. Em busca de informação e de uma solução, a comissão reuniu nesta quinta-feira, dia 23/05, na Alerj, representantes das secretarias municipais e estaduais de saúde e do Ministério Público.

De acordo com a deputada Lucinha (PSDB), que solicitou a audiência, a mamografia é fundamental para o diagnóstico e tratamento da doença. “A maioria da população não consegue fazer o exame e já chega no Instituto Nacional do Câncer (Inca) em estágio avançado. Com a demora, as mulheres acabam morrendo. No Rio, as regiões que mais sofrem com a falta de mamógrafos é a Zona Oeste, na capital, e a Baixada Fluminense, na Região Metropolitana”, afirmou.

Segundo a representante da Secretaria Municipal de Saúde, Girlana Marano, não faltam vagas para o agendamento do exame na capital; a Prefeitura do Rio oferece hoje cerca de 12 mil vagas/mês. O que falta é a informação à mulher de que as vagas estão disponíveis, observou ela. Segundo Marana, o problema pode estar no sistema de regulação; no descompasso entre as vagas disponíveis para o exame e a quantidade de mulheres que demoram a fazer a marcação. Ana Lúcia Reis, da Gerência de Câncer da Prefeitura do Rio , disse que não é por falta de mamógrafos o registro de câncer de mamas na Zona Oeste. “A incidência da doença hoje é alarmante. Mulheres na faixa de rastreamento de 50 a 69 anos devem fazer o exame a cada dois anos”, declarou. A ausência de marcações ocorrem principalmente nas unidades de saúde de Campo Grande, Realengo, Bangu e Recreio, bairros da Zona Oeste na cidade.

Demanda reprimida

A subsecretária estadual de Saúde, Mariana Scardua, relatou que os mamógrafos operam com 1/3 do seu potencial e que o problema está na distribuição dos aparelhos. O estado disponibiliza 200 aparelhos pelo SUS. “Cada mamógrafo tem capacidade para realizar mais de 900 mil exames por ano, mas atualmente apenas 266 mil são realizados”, afirmou. De acordo com a Mariana, a maior deficiência para realização do exame é localizada na cidade do Rio e na Baixada. A atenção primária da saúde deve identificar este paciente para realização do exame “É importante não pensar apenas no aparelho, mas também na forma de distribuição dos equipamentos nos municípios, o aproveitamento e o acesso ao exame”, acrescentou. .

O problema do câncer de mama apresenta um quadro dramático na regulação de vagas no estado, apontou a deputada Mônica Francisco (Psol). De acordo com a parlamentar, o tema afeta uma população que vive em condições precárias .“Mulheres morrem ou são mutiladas pela doença. Há um impacto na vida da família . Mais de 56 % dos lares hoje são chefiados por mulheres”, afirmou a parlamentar

A presidente da Comissão da Saúde, deputada Martha Rocha (PSDB), concluiu a audiência informando que há uma ausência de mamógrafos que inviabilizam hoje o atendimento da mulher no estado. “Há uma demanda reprimida de 900 mil exames que poderiam ser realizados anualmente. É preciso repensar o fluxo de problemas e fortalecer a informação para a mulher”, afirmou a parlamentar.

 

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