CERCA DE 34 MILHÕES DE TRABALHADORES CUMPREM JORNADAS ACIMA DE 40 HORAS SEMANAIS NO ESTADO
O dado, do Ministério do Trabalho, foi apresentado durante audiência pública na Alerj que debateu os impactos da escala 6x1.
A Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) se reuniu nesta quinta-feira (07/05) para debater os impactos da escala 6x1 na classe trabalhadora. Durante a reunião, o colegiado anunciou que está estudando medidas voltadas à melhoria das condições de trabalho no serviço público e nos modelos de terceirização. Dado do Ministério do Trabalho, apresentado na reunião, aponta que cerca de 34 milhões de trabalhadores têm uma jornada superior a 40 horas por semana.
A presidente da Comissão, deputada Dani Balbi (PCdoB) defendeu o enfrentamento da precarização das relações de trabalho e comentou os impactos da escala 6x1 sobre a saúde mental da classe trabalhadora. “Essa escala aprofunda o adoecimento mental e físico dos trabalhadores, especialmente das mulheres, que acumulam jornadas dentro e fora do ambiente profissional. Não podemos tratar esse debate sem compreender que ele faz parte de um projeto histórico de retirada de direitos e de enfraquecimento das garantias trabalhistas”, afirmou.
Já a deputada federal Enfermeira Rejane (PcdoB) ressaltou a urgência de enfrentar o adoecimento provocado pelas jornadas exaustivas. “Não devemos normalizar um modelo de trabalho que adoece física e emocionalmente a população trabalhadora. O aumento dos casos de ansiedade, estresse e esgotamento está diretamente ligado às condições precárias e às jornadas excessivas enfrentadas diariamente pelos trabalhadores”, comentou.
Consequências das longas jornadas
Já o presidente do Sindicato dos Comerciários, Márcio Andrade, afirmou que a jornada exaustiva vai além das horas registradas dentro das empresas. “Muitos trabalhadores passam mais de três horas por dia entre ida e volta ao trabalho, especialmente quem sai da Baixada para o Centro do Rio. Quando somamos o tempo de transporte às longas jornadas e às horas extras, vemos uma rotina extremamente desgastante, que compromete o descanso, a convivência familiar e a qualidade de vida”, pontuou.
A diretora da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Chris Gerardo, ressaltou o papel do Parlamento na construção de políticas voltadas à proteção da classe trabalhadora e à ampliação do diálogo com a sociedade. “Trazer esse tema para discussão pública é essencial para aproximar o poder público da realidade vivida pelos trabalhadores. É ouvindo as demandas da população que conseguimos avançar na formulação de medidas mais justas e conectadas com os desafios enfrentados no dia a dia”, disse.
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