ALERJ PROMOVE DISCUSSÃO SOBRE CANNABIS MEDICINAL E POSSIBILIDADES DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO PARA O ESTADO
Livro produzido em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) demonstram que o Rio de Janeiro tem condições para se tornar um importante espaço de incorporação da cannabis a um planejamento econômico racional.
A Comissão de Direitos Humanos, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), realizou audiência pública nesta quinta-feira (07/05) para discutir o uso da cannabis medicinal e o desenvolvimento socioeconômico do Rio de Janeiro. No encontro, que aconteceu na sede do Parlamento, a comissão elencou alguns encaminhamentos: por meio de emendas parlamentares, ampliar o fomento à pesquisa sobre o tema e promover nas universidades cursos de capacitação para jovens das comunidades.
Também foi lançado o livro "Cannabis e o desenvolvimento socioeconômico: perspectivas para o Estado do Rio de Janeiro", organizado por pesquisadores em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF). A obra reúne artigos que demonstram que o Rio tem condições para se tornar um importante espaço de incorporação da cannabis a um planejamento econômico racional.
“A gente queria provocar esse debate começando pelo tema da saúde, mas ir destrinchando o potencial econômico e produtivo da cannabis. O que há regulamentado no Brasil é o uso medicinal, mas você tem a utilização em outros países por exemplo na construção civil. É importante ouvir os pesquisadores, para que com seus estudos possamos direcionar políticas públicas sobre o tema, nesta Casa”, disse a deputada Dani Monteiro (Psol), presidente do colegiado.
Ativista e fundadora do Núcleo de Estimulação Estrela de Maria, do Complexo do Alemão, Rafaela França contou sobre a iniciativa do projeto, que visa a ajudar mães da favela a obterem cannabidiol para filhos com autismo. “Não recebemos nenhuma ajuda governamental, nem de associação do Rio de Janeiro.Tenho apoio de duas empresas internacionais e da Santa Cannabis, de Santa Catarina. É fácil falar da favela, sem estar lá. Acho importante pontuar que não adianta oferecer o óleo a uma criança, se não tem comida, não tem uma praça para o lazer”, enfatizou.
O coordenador do Núcleo de Estudos sobre Turismo de Drogas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) (Netud / Uerj), Thiago Pereira, apresentou o potencial econômico do turismo canábico para o Brasil e o Rio de Janeiro. “Elaboramos uma proposta de turismo histórico canábico aqui do Rio de Janeiro, passando por diversos pontos da cidade, sem promover consumo, mas movimentando a economia”, comentou.
Doutora em Desenvolvimento Econômico da Universidade de Campinas (UNICAMP), Taciana Santos de Souza falou a respeito da máfia do narcotráfico“. “Esse sistema produz as substâncias proibidas, aumenta a violência e a corrupção estatal, alavancando a lucratividade destes negócios. É importante desconstruir o preconceito e desinformação sobre a cannabis”, ressaltou.
O Livro
A publicação reúne textos de diversas áreas de conhecimento a respeito dos limites e das possibilidades para a produção de cannabis no Rio de Janeiro. O objetivo é oferecer elementos para um diagnóstico sobre o cenário atual e refletir sobre bloqueios e caminhos existentes.
A pesquisadora da Universidade Estadual do Norte Fluminense e desenvolvedora do livro, Ingrid Trancoso, comentou sobre a relevância do fomento à ciência. “É preciso pensar em uma política para alcançar todo o recurso que a cannabis pode proporcionar, como qualidade de vida e commodities. Para conseguirmos ter sucesso com o cultivo da planta e fomentar o desenvolvimento socioeconômico, de modo que o recurso volte à sociedade, precisamos de investimento em ciência”, pontuou.
O advogado e fundador do Conexão Verde e um dos autores, Clayton Medeiros Bastos Silva, relatou sobre a possibilidade de formar cooperativas para a produção da cannabis. “As cooperativas sociais podem fazer distribuição de renda, gerando empregos para pessoas de baixa renda ou egressos do sistema carcerário. Assim, construir um futuro melhor , com pessoas tendo voz e participação”, afirmou.
A química e pesquisadora Lorrayne Teixeira, que também escreveu um capítulo do livro, comentou sobre o mapeamento da cannabis medicinal no Estado do Rio, com foco na Baixada Fluminense. “Nosso trabalho ocorreu através de preenchimento de formulários e entrevistas, com 118 respostas de pacientes. Do total, 55% eram pessoas brancas e 38% pretos e pardos e 35% gastam de 200 reais a 500 reais com o óleo da cannabis. Entre as doenças que podem ser tratadas com a cannabis medicinal, estão depressão, insônia , dores crônicas e epilepsia”, explicou.
Ela pontuou, ainda, que das 92 cidades do Rio, apenas 11 existem leis ou projetos que falam sobre o acesso à cannabis medicinal por meio do SUS. “Concluímos, com a nossa pesquisa, que seria de suma importância a ampliação via SUS, através de programas, para distribuição da cannabis medicinal, a elaboração de protocolos clínicos para que os profissionais de saúde saibam prescrever e manusear, além da importância do incentivo à pesquisa, promoção e inclusão de agricultores familiares”, concluiu.
Estiveram presentes também outros autores, professores e estudantes.
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