FRAUDES VIRTUAIS ATINGIRAM 24 MILHÕES DE BRASILEIROS EM UM ANO
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Por Octacílio BarbosaElerj recebeu palestra sobre golpes digitais, reunindo especialistas para orientar a população sobre formas de prevenção e identificação de crimes virtuais
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Por Octacílio BarbosaElerj recebeu palestra sobre golpes digitais, reunindo especialistas para orientar a população sobre formas de prevenção e identificação de crimes virtuais
Crimes via Pix movimentaram cerca de R$ 29 bilhões entre julho de 2024 e julho de 2025, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresentados em palestra na Alerj sobre fraudes digitais.
O número de brasileiros vítimas de fraudes virtuais foi de 24 milhões no período de um ano, entre julho de 2024 e julho de 2025. O dado, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi apresentado na última terça-feira (19/05), na Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj), que promoveu uma palestra sobre golpes digitais, reunindo especialistas para orientar a população sobre formas de prevenção e identificação de crimes virtuais cada vez mais sofisticados. O encontro, realizado no Edifício Lúcio Costa, sede da Alerj, também abordou medidas de proteção e os principais tipos de golpes praticados atualmente.
Durante a palestra, os especialistas alertaram que os criminosos utilizam estratégias cada vez mais sofisticadas para enganar as vítimas, como falsos boletos, clonagem de redes sociais, atendimentos bancários falsos e páginas fraudulentas que imitam sites oficiais de empresas e eventos. Outro dado a se destacar mostra que crimes via Pix movimentaram cerca de R$ 29 bilhões, também entre julho de 2024 e julho de 2025.
Membro da Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), a advogada Flávia Aguiar ressaltou a importância da conscientização da população diante do aumento dos golpes financeiros. “A nossa intenção é justamente prevenir, fazer com que as pessoas entendam como podem se precaver e o que devem fazer caso sejam vítimas de golpes”, destacou.
O advogado e professor Diogo Coelho comentou sobre o caso de uma empregada doméstica que perdeu R$ 30 mil após acessar um falso site de leilão de veículos. “Tudo parecia verdadeiro. O site era praticamente igual ao oficial, com diferença de apenas uma letra, e a vítima ainda recebeu documentos falsificados. A fraude começa muito antes do Pix, existe toda uma história criada para convencer a pessoa”, explicou.
Idosos estão entre os principais alvos
Dados apresentados durante o encontro mostram que as fraudes afetam pessoas de todas as idades. Os idosos costumam ser os principais alvos de golpes com boletos falsos, enquanto os mais jovens aparecem com maior frequência entre as vítimas de fraudes em compras online.
O advogado Alexandre Meireles alertou para a vulnerabilidade dos idosos diante das novas tecnologias. “Sempre existe alguma vantagem por trás da tentativa de fraude, então é preciso ter muito cuidado, principalmente com essa geração que não cresceu em meio à tecnologia”, afirmou.
Fraudes cada vez mais convincentes
Outro tipo de golpe abordado durante a palestra, é o caso de criminosos que se passam por advogados e escritórios de advocacia para enganar vítimas que possuem processos na Justiça. Os golpistas acessam informações públicas sobre ações judiciais, utilizam nomes reais de advogados e entram em contato solicitando transferências bancárias.
A aposentada Haidêe Antunes contou que quase caiu em um golpe após ser procurada por criminosos que tinham acesso a detalhes de seus processos judiciais. Segundo ela, os golpistas utilizavam a foto da advogada, linguagem semelhante à do escritório e informações detalhadas sobre as ações. “Eles sabiam tudo sobre os meus processos. A mensagem parecia muito real, com documentos e até a foto da advogada. Só percebi que era golpe quando conferi o telefone e entrei em contato diretamente com ela”, relatou.
Haidêe destacou ainda que os criminosos criam situações de urgência para pressionar as vítimas. “A pessoa se desespera, tenta resolver rápido e acaba fazendo o Pix. É preciso conferir tudo com muita atenção”, alertou.
Medidas de proteção
Os palestrantes alertaram que muitos golpes começam por meio de links suspeitos enviados por mensagens, redes sociais e aplicativos de conversa. A orientação é desconfiar de promessas de vantagens financeiras, promoções fora do comum e pedidos urgentes de transferências bancárias.
Entre as principais medidas de segurança destacadas durante a palestra estão a conferência dos dados do destinatário antes de realizar transferências via Pix, a ativação da verificação em duas etapas em aplicativos de mensagens e o uso exclusivo dos canais oficiais das instituições financeiras para cadastros e movimentações bancárias.
Os especialistas também reforçaram que, em caso de fraude, é fundamental acionar imediatamente o banco responsável pela conta e registrar um boletim de ocorrência, informando o máximo de detalhes sobre o golpe sofrido.
A membro da Comissão de Juizados da OAB-RJ, Claudia Serpa, reforçou a importância da atenção no ambiente digital. “Pare, pense e verifique, porque esses passos podem te salvar”, alertou.
Projetos na Alerj reforçam combate aos golpes digitais
A Assembleia Legislativa também vem debatendo medidas para ampliar a proteção da população contra golpes virtuais. Entre as propostas em tramitação está o Projeto de Lei nº 6.361/2025, de autoria da deputada Dani Balbi (PCdoB), que institui a Política Estadual de Enfrentamento a Golpes Digitais. O texto prevê diretrizes de atendimento às vítimas por meio do “Disque Golpe”, além de ações de conscientização, cooperação com instituições e mecanismos de proteção de dados pessoais.
Outra proposta é o Projeto de Lei nº 1.655/2023, cujo autor é o deputado Munir Neto (SDD), que estabelece o envio obrigatório de alertas por SMS pelas operadoras de telefonia móvel sobre novas modalidades de golpes, fraudes e estelionatos. A medida tem foco especial na proteção de idosos, considerados um dos grupos mais vulneráveis aos crimes digitais.
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