Artesanato ganha espaço como fonte de renda no Estado do Rio
Com lei da Alerj que criou o Programa Estadual de Desenvolvimento da Produção Artesanal e Orgânica, número de artesãos cresce 177% em cinco anos
O artesanato vem ganhando cada vez mais espaço como alternativa de geração de renda no Estado do Rio de Janeiro. Nos últimos cinco anos, o número de artesãos cadastrados no estado passou de cerca de 9 mil para 25 mil profissionais, um crescimento superior a 177%. O levantamento foi divulgado pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur-RJ) durante a entrega das Carteiras Nacionais do Artesão, em Rio das Ostras, em 2025.
O crescimento acompanha um movimento observado em todo o país. A estimativa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é de que aproximadamente 8,5 milhões de pessoas trabalhem com artesanato no Brasil. Além de ser uma fonte de renda para milhões de brasileiros, a atividade movimenta a economia por meio da comercialização de peças em feiras, eventos, lojas e plataformas digitais.
No Estado do Rio, o artesanato também é contemplado por políticas públicas de incentivo e valorização. A Lei nº 9.885/2022, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), instituiu o Programa Estadual de Desenvolvimento da Produção Artesanal e Orgânica, que tem entre seus objetivos incentivar a produção artesanal, contribuir para
a geração de trabalho e renda e fortalecer as tradições culturais fluminenses. A legislação também prevê a valorização da identidade cultural do estado e contempla diferentes segmentos da produção artesanal, como trabalhos com tecidos, cerâmica, madeira, metal,
papel e materiais recicláveis.
Para a artesã Alessandra Silva, que produz bolsas de crochê e comercializa as peças pela internet, o artesanato surgiu durante a pandemia, quando estava sem trabalho. Com o tempo, a atividade ganhou espaço e se transformou em uma oportunidade de criar uma marca própria.
“Hoje, eu tenho esse trabalho como um complemento da minha renda, que me ajuda bastante. Sempre gostei muito de coisas feitas à mão e fui aprendendo com vídeos na internet, testando e criando minhas próprias peças. Com o tempo, comecei a fazer bolsas e percebi que era o que eu mais gostava de produzir, porque conseguia criar modelos que tinham muito a ver comigo e com o meu estilo”, contou.
O retorno do público foi um dos fatores que incentivaram Alessandra a continuar investindo
na produção. “O que mais me motivou foi perceber que as pessoas realmente gostavam e usavam aquilo que eu fazia. Foi muito legal ver algo que começou de forma tão simples virar uma marca e ver minhas bolsas fazendo parte do estilo de outras pessoas. Fui pegando algumas referências, aprendendo os pontos e testando até conseguir fazer do jeito que eu queria. Nunca fiz curso, foi muito na prática mesmo, errando, refazendo e aprendendo aos poucos”, afirmou.
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